Cadastro Positivo altera avaliação de crédito no Brasil

Expectativa é que score seja aperfeiçoado a partir do próximo mês, quando lei entra em vigor, ampliando o mercado de crédito e aquecendo a economia

[610] Dívidas[610] Dívidas - Foto: Divulgação

A sua avaliação de crédito pode mudar em breve, mesmo que você não contrate novas dívidas. É que o Cadastro Positivo entra em vigor no próximo dia 9, dando início a um banco de dados que vai reunir o histórico de pagamentos de pessoas físicas e jurídicas para, com isso, tentar estimular e baratear a concessão de crédito no País. E birôs de crédito como o Serasa Experian e o SPC Brasil, que hoje ajudam bancos e lojas a descobrir se um consumidor é confiável para receber novos financiamentos, já se preparam para refazer as suas avaliações com base nos dados de pagamento que só agora serão disponibilizadas para esse mercado.

“O seu score de crédito muito provavelmente vai mudar”, avisou o diretor de analytics da Serasa Experian, Julio Guedes. O SPC Brasil explicou que o novo Cadastro Positivo determina que todos os consumidores brasileiros que possuem CPF ativo e empresas inscritas no CNPJ passem a fazer parte automaticamente do banco de dados. Por isso, o número de participantes no cadastro deve saltar de 13 milhões para 130 milhões no próximo mês, caso nenhum dos inscritos peça às instituições financeiras para retirar seu histórico de pagamento do banco de dados, o que é um direito do consumidor. E, com isso, os birôs de crédito prometem reavaliar as notas que dão aos clientes hoje, passando a conceder avaliações mais condizentes com a realidade financeira de cada um.

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“Hoje trabalhamos com informações de procura e de experiências anteriores com o crédito. É considerado se você teve um problema no passado. Agora, porém, também poderemos ver se você paga o cartão de crédito em dia, por exemplo”, detalhou Guedes, indicando que, ao invés de olhar apenas se os consumidores caíram na inadimplência ao longo da vida, os birôs vão passar a olhar a capacidade de pagamento atual. “Pela nova regra, a adesão dos consumidores e das empresas será automática e vai gerar uma nota calculada com base no histórico de crédito, agora mais abrangente na comparação com a versão anterior, já que inclui contas de água, luz e telefone, por exemplo”, detalhou a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC).

“Bons clientes vão se beneficiar disso”, garantiu o diretor da Serasa, dizendo que, com o cliente sendo mais bem avaliado, os bancos e as lojas devem passar a conceder mais financiamentos, estimulando a economia nacional. “Com melhores modelos de análise, conseguiremos vender mais casas e financiar mais carros. Com isso, vamos incentivar toda uma cadeia produtiva, o que acaba reduzindo a inadimplência. E isso reduz a taxa de juros. Então, o consumidor vai pagar menos e as empresas vão vender mais. Vamos entrar em um círculo virtuoso que vai servir de alavanca para a economia brasileira”, acredita Guedes. “A análise de dados é uma ferramenta que permite entender melhor e atender de maneira mais personalizada os nossos clientes”, confirmou o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal.

É por conta disso que a ANBC calcula que o Cadastro Positivo pode inserir mais 22 milhões de pessoas no mercado de crédito brasileiro - o que, se somado aos financiamentos que também serão concedidos a quem já é cliente do setor financeiro - pode resultar em uma injeção superior a R$ 1,1 trilhão na economia nacional. “Em países que já adotaram o Cadastro Positivo, como África do Sul, México e Chile, o crédito já representa de 70% a 80% do PIB (Produto Interno Bruto). No Brasil, essa participação gira em torno de 48%. O potencial é grande”, confirmou o diretor executivo de dados da Quod - o birô de crédito dos bancos -, Ricardo Thomazello.

Mercado se aquece
A criação de um banco de dados com o histórico de pagamento de praticamente toda a população bancarizada brasileira também vai criar mais competição entre os birôs de crédito - mercado que fatura cerca de R$ 3 bilhões por ano no Brasil. Prova disso é que um novo birô está entrando no mercado e birôs tradicionais já preparam novos produtos para se manterem competitivos.

O novo integrante do setor é a Quod, que nasceu como uma fintech no ano passado. A empresa, porém, já se lança com uma grande vantagem: pertence aos cincos maiores bancos do País - instituições que usam muito informações como o score de crédito e que, como mostra pesquisa da própria Serasa Experian, têm maior credibilidade perante os consumidores brasileiros. Segundo o estudo, 46% da população confia mais em instituições financeiras como bancos e seguradoras do que em outros segmentos econômicos na hora de fornecer dados pessoais.

Por conta disso e de todo o investimento recebido dos seus acionistas (R$ 361 milhões, ao todo) para desenvolver novas tecnologias de análise, a Quod tem planos ambiciosos. “Vamos ser líderes de mercado em cinco ou 10 anos”, prevê o diretor jurídico e regulatório da empresa, Gustavo Marrone, garantindo que a Quod não vai focar apenas nos grandes bancos. “Vamos apostar muito no mercado das pequenas e médias empresas, que precisam de serviços mais baratos”, adiantou.

A promessa, porém, não assusta a Serasa Experian - atual líder do mercado. “A concorrência é saudável. E a experiência fora do Brasil vai nos permitir lançar novos tipos de produto”, afirmou Julio Guedes, contando que, entre as novidades, estão um score de crédito personalizado aos interesses de cada empresa e a divulgação dos critérios que determinam a nota dos cidadãos. “O score vai ser transparente para o consumidor. No site do Serasa Experian, ele poderá consultar seu score, entender quais dados foram utilizados para fazer essa avaliação e como pode melhorar sua nota”, prometeu Guedes, calculando que, como os novos dados serão liberados no próximo mês, esses novos serviços devem ser lançados até setembro.

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