Caminhoneiros fazem movimento estruturado em Suape

A Folha foi conferir de perto a situação dos caminhoneiros e constatou que o protesto está bem estruturado e conta com ajuda popular

Caminhoneiros em SuapeCaminhoneiros em Suape - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Em meio às evidências de que a paralisação dos caminhoneiros contou com o suporte e o aval de donos de transportadoras, movimento conhecido como locaute, em investigação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Folha de Pernambuco foi conferir como os caminhoneiros estão se organizando para a manutenção do ato. Na principal via de acesso ao Complexo Portuário de Suape - onde a categoria se mantém desde segunda passada -, a constatação foi de muita organização e nenhuma intenção de abandonar a causa.

Segundo os caminhoneiros que estão no local - chamado por eles de célula -, apesar de não haver nenhuma liderança direta, a mobilização está coesa. “Desde segunda-feira estamos sendo ajudados, e agradecemos a quem ajuda com alimentação e presença para apoiar. Se está tendo esse movimento é porque estamos no caminho certo”, disse o caminhoneiro Ronaldo Hermínio de Lima.

Na célula de Suape estão presentes motoristas de todos os lugares do Brasil, como Paulo Sérgio, de 34 anos, natural de Joinville, Santa Catarina, que contou como estão se mantendo no protesto. “A população está trazendo doações e para tomarmos banho, utilizamos um restaurante próximo. No geral, estamos sendo bem acolhidos”, revelou Paulo.

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Para armazenar as doações que chegam a todo o momento, os caminhoneiros estão utilizando uma carreta resfriada para garantir que o alimento dure o tempo que for necessário. “Estou na tenda que recebe e armazena os produtos que chegam. É tanta comida que mandamos para outros pontos de paralisação e para uma comunidade próxima aqui do local”, afirmou a técnica em segurança e esposa de caminhoneiro, Fabiana Barros.

Durante todo o momento em que a reportagem esteve no local, doações de alimentos não deixaram de chegar, demonstrando o apoio popular em favor da pauta de reivindicações dos caminhoneiros. “Isto é uma clara demonstração da importação que a categoria tem na vida da população”, completa Lima.

Complexo
Embora representantes de Suape tenham negociado com os manifestantes a entrada de dois caminhões-tanque para abastecimento de GLP para o Complexo Prisional do Curado, outros 10 com querosene de aviação (QAV) para abastecer o Aeroporto Internacional do Recife e mais quatro com combustível para abastecer as viaturas das forças de segurança do Estado, o Complexo Industrial Portuário de Suape continua sofrendo os impactos da paralisação dos caminhoneiros.

Segundo a administração do complexo portuário, por conta da paralisação, uma média de 1.600 a 2.000 caminhões/dia - 70% de combustíveis - , estão deixando de ter acesso ao porto. Em nota, o complexo informou que apesar de ter cerca de oito navios atracados no momento, em poucos dias novos navios poderão ser impedidos de atracar devido à indisponibilidade de área para armazenagem ou falta de carga para embarque. No Pátio Público de Veículos, cerca de 1.800 veículos importados não foram escoados via rodoviária e o Terminal de Contêineres (Tecon Suape) paralisou a movimentação entre terminais desde terça.

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