Banco Central

Campos Neto diz que Copom usou critérios técnicos em decisão sobre juros

Corte de 0,25 ponto percentual na Selic teve oposição de todos os diretores indicados por Lula, que defenderam redução de 0,5 ponto

 Campos Neto Campos Neto  - Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Fora do script, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, usou a parte final de seu discurso na Conferência Anual do BC nesta quarta-feira para defender a posição da maioria no Comitê de Política Monetária (Copom) que definiu a queda mais modesta da taxa Selic, de 10,75% para 10,50% ao ano.

O presidente do BC defendeu que o entendimento da maioria no Copom “foi claro” de que as mudanças no cenário desde a reunião de março foram relevantes e que deveriam ser respondidas com a redução do ritmo de corte de juros.

— O entendimento da maioria foi claro de que as mudanças foram relevantes e que deveríamos responder com a mudança de ritmo.

O corte de 0,25 ponto porcentual foi definido em uma votação apertada, de 5 votos a 4, que opôs os dirigentes do BC que já estavam no órgão antes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e os membros que foram indicados pelo petista. Gabriel Galípolo, Paulo Picchetti, Ailton Aquino e Rodrigo Teixeira queriam um corte mais forte, de 0,50 ponto porcentual, como havia sido indicado na reunião anterior, em março.

Campos Neto ainda esclareceu que o debate não foi sobre a validade dos condicionantes para seguir ou não com a sinalização dada em março, mas sobre a “gradação”.

— O debate baseado em critérios técnicos, todos os argumentos foram levados em consideração.

O presidente do BC citou que os “efeitos” sobre a percepção de credibilidade da política fiscal “com possíveis implicações para a política monetária” foram discutidos no Copom, em referência à mudança de meta fiscal para os anos de 2025 em diante.

Outros pontos discutidos foram a piora do cenário externo e o novo movimento de alta das expectativas no Boletim Focus entre as reuniões de março e maio, depois de meses das projeções para 2025 em diante paradas. Houve também debate, conforme relatado na ata, sobre o mercado de trabalho forte e as implicações para a inflação de serviços, assim como um risco de inflação de alimentos ser menos benigna.

A ata divulgada nesta terça-feira mostrou que os membros dissidentes debateram sobre "o custo de oportunidade de não seguir o guidance (sinalização) vis-à-vis a mudança de cenário no período". Já a maioria considerou que o cenário traçado em março não se concretizou.

Em meados de abril, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou, em evento em Washington (EUA), que o aumento da nebulosidade no cenário poderia levar à redução do ritmo.

Em entrevista à Bloomberg também nesta terça-feira, Picchetti revelou que a declaração de Campos Neto em abril não foi completamente discutida com o comitê e afirmou que o Copom deve “priorizar mecanismos oficiais de comunicação”. Na mesma entrevista, Picchetti disse que “não há motivo” para não se comprometer com o centro da meta de 3,0% “a menos que haja evidências de que isso seria ineficaz no horizonte relevante.

Nesta quarta, no evento do BC, Campos Neto afirmou que não se deveria nem discutir em centro ou banda de meta de inflação.

— Em debate de política monetária, não deveria nem se falar em centro e banda, nossa meta é 3,0% e temos que perseguir.

Na semana passada, chamou a atenção do mercado financeiro o racha no comitê na votação, embora a avaliação mais cautelosa do cenário foi acordada por todos os diretores, considerando que só consta do comunicado o que foi consenso no colegiado. Na avaliação de parte do mercado financeiro, essa divisão poderia indicar que o comitê pode ser mais leniente com o controle da inflação no próximo ano, quando os indicados de Lula serão maioria. A desconfiança, porém, continua, embora reduzida, depois da ata.

Isso porque o petista, desde o começo do seu terceiro mandato, tem feito críticas diretas ao atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, e ao patamar dos juros, que considera elevado. O mandato de Campos Neto termina em 31 de dezembro, assim como os de Carolina Barros e Otávio Damaso. O mais cotado para assumir a liderança do BC é Gabriel Galípolo.

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