MERCADO

CEO do Nubank sobre expansão global: "Estamos no primeiro minuto do primeiro tempo"

Em evento em São Paulo, David Vélez afirmou que consolidação do banco mundialmente está apenas começando

Nubank é um dos maiores bancos digitais do mundoNubank é um dos maiores bancos digitais do mundo - Foto: Nubank/Divulgação

O CEO do Nubank, David Vélez, participou de evento realizado na sede do banco em São Paulo, onde falou sobre suas expectativas ambiciosas para a empresa que, de acordo com ele, ainda tem o potencial de aumentar consideravelmente sua expansão global.

Quando Velez elaborou sua apresentação de PowerPoint sobre o conceito por trás do Nubank, há mais de uma década, o objetivo era virar a mesa em um setor bancário liderado por players estabelecidos como o Itaú Unibanco.

Agora, o Nubank é um dos maiores bancos digitais do mundo, com mais de 100 milhões de clientes, e por um breve momento na semana passada — enquanto Velez falava em um evento da empresa sobre outro recorde trimestral – ultrapassou o Itaú como instituição financeira mais valiosa da América Latina.

Quer isso aconteça na próxima semana ou no próximo ano, o Nubank parece caminhar para se consolidar como o maior banco da região aos olhos dos investidores globais.

— É uma grande validação da tese e do modelo que defendemos — disse Velez, de 42 anos, em entrevista. —Fomos ignorados, ridicularizados e tivemos que lutar durante uma década contra o ceticismo generalizado. Acho que finalmente o mercado está começando a compreender os primeiros princípios por trás da tese que vemos expondo.

A mensagem de Velez durante o evento de três horas foi que o banco digital está apenas começando.

— Estamos no primeiro minuto do primeiro tempo — disse Velez, considerando a posição do banco globalmente — estamos no primeiro segundo do primeiro minuto do primeiro tempo.

Velez, nascindo na Colômbia, é o CEO e presidente do conselho da companhia. Depois de se formar na Universidade de Stanford, ele trabalhou em empresas de capital de risco, incluindo a Sequoia Capital, antes de se tornar o empresário de tecnologia mais rico da América Latina, com um patrimônio líquido de cerca de US$ 11,8 bilhões, de acordo com dados do Bloomberg Billionaires Index.

— Tenha uma ideia realmente boa e persista nela por muito tempo — disse ele, citando Charlie Munger, o falecido parceiro de investimentos e braço direto de Warren Buffett, diretor executivo da Berkshire Hathaway.

Desde sua estreia em 2013, o número de clientes do Nubank já cresceu para mais da metade da população adulta do Brasil e a empresa está rapidamente entrando em áreas como empréstimos garantidos, seguros, serviços para pequenas empresas e construindo uma plataforma de varejo em seu aplicativo. Enquanto tenta replicar seu sucesso no México e na Colômbia, as ambições de Velez vão muito além desses mercados. Nada menos do que mudar o jogo dos serviços financeiros globais.

A vasta maioria do mercado de serviços financeiros, de US$ 6,5 trilhões, continua nas mãos dos players estabelecidos, disse ele na apresentação. No setor de pagamentos, onde as fintechs têm mais penetração, os novos participantes ainda respondem por apenas 6,3% do mercado.

Até o final do ano, o Nubank deve enxergar uma trajetória para a lucratividade no México e na Colômbia, o que permitiria anunciar seus próximos mercados de expansão, de acordo com Velez. Com o tempo, a empresa será capaz de expandir para mais regiões em um ritmo mais rápido, afirmou ele.

No primeiro trimestre, a receita do Nubank saltou 64% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 2,7 bilhões. O lucro aumentou 167%, para US$ 379 milhões. As ações subiram cerca de 44% este ano e cerca de 80% nos últimos 12 meses. A empresa, que abriu capital no final de 2021, vale agora mais de US$ 57 bilhões.

Quando questionado se a empresa conseguirá continuar a apresentar resultados melhores um trimestre após o outro, Velez citou 1,5 milhões de novos clientes por mês, o aumento da receita por cliente e uma estrutura de custos fixa como razões para estar otimista.

— Mais receita com uma estrutura de custos plana significa uma oportunidade bastante significativa de ver o lucro líquido aumentar por um longo tempo — disse ele na entrevista.

— Mais ou menos 50% das pessoas que trabalham no Nubank hoje trabalham em produtos que geram receita zero. Portanto, embora sejamos lucrativos, estamos investindo muito dinheiro no crescimento futuro e esperamos que muitas dessas apostas deem certo — completou.

O Nubank nomeou a cofundadora Cristina Junqueira como diretora de crescimento, responsável por impulsionar novos mercados. Junqueira, que é provavelmente a fundadora de negócio de tecnologia mais bem-sucedida — e rica — da região, recorda que no início atendia todas as chamadas de suporte ao cliente a partir do seu celular.

Apesar dos progressos iniciais, não há garantia de que o sucesso obtido no Brasil será replicado em todos os outros mercados.

O crescimento do Nubank no Brasil terá que ser através de uma gama mais ampla de serviços por cliente à medida que se aproxima de um nível de maturação do número de contas. Alguns dos novos alvos incluem adolescentes menores de 18 anos e clientes de alta renda.

No México, a empresa está trabalhando com as autoridades para obter uma licença bancária, em meio a uma maior concorrência no espaço de fintechs. Os tetos de juros na Colômbia se mostram difíceis de navegar para desenvolver seu negócio de crédito no país.

“O risco é que atender a expectativas tão elevadas não seja necessariamente do interesse do Nu”, escreveram analistas do Banco BTG Pactual liderados por Eduardo Rosman em um relatório de fevereiro: “Somos construtivos quanto ao futuro do Nu, mas continuamos um pouco preocupados com o preço da ação e o valuation, e tememos que os investidores avaliem o Nu como se estivesse em uma corrida”.

A má notícia no balanço da empresa foi um salto maior do que o esperado nos empréstimos inadimplentes no trimestre, que os executivos atribuíram à sazonalidade e a um esforço mais agressivo para expandir a carteira de crédito.

Além dos primeiros investidores como Sequoia, Tencent e Berkshire Hathaway, fundos globais têm construído posições maiores ultimamente.

Uma recente campanha publicitária transmitida através do Las Vegas Sphere para marcar 100 milhões gerou curiosidade sobre se o Nubank estaria preparando uma possível expansão nos EUA.

— Parece muito, mas 100 milhões é muito pouco —disse Velez no evento. — Temos décadas pela frente para continuar renovando tudo o que temos construído há 12 anos e para liderar esta grande transformação dos serviços financeiros globais.

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