Cervejas artesanais pernambucanas podem ser consumidas, garante associação

Apecerva afirma que marcas do Estado não utilizam dietilenoglicol na fabricação. Substância foi encontrada em cervejas da mineira Backer, cujo consumo matou pelo menos uma pessoa

Cerveja artesanalCerveja artesanal - Foto: Reprodução/Instagram @apecerva

As cervejas artesanais pernambucanas estão aptas para serem consumidas sem preocupação. É o que garante comunicado divulgado pela Associação Pernambucana de Cervejas Artesenais (Apecerva). O alerta em torno da bebida é motivado pelo caso de pelo menos duas mortes provocadas pela contaminação de cervejas da mineira Backer. Ao todo, 17 casos de intoxicação foram notificados em Minas Gerais.

Apurações apontam que em alguns lotes de marcas da cervejaria Backer foi encontrada a substância dietilenoglicol, uma anticongelante que seria usado no resfriamento de serpentinas no processo. Segundo a Apecerva, que afirmou ter realizado consultas com seus associados, a indústria pernambucana utiliza álcool etílico na fabricação.

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Em relação à queda no consumo das marcas locais, o presidente da Apecerva, Victor Lamenha, afirmou ao Portal FolhaPE que ainda é cedo para o caso Backer refletir nos resultados de consumo no mercado local. “Acredito, de forma geral, na confiança e no discernimento do consumidor pernambucano”, disse. “Nenhum associado apontou mudança. Temos algumas vendas diretas a consumidores que conseguimos medir e não tem queda”, acrescentou.

A Apecerva tem de 20 a 30 marcas associadas, dentre as quais a Capunga e a Ekäut. A estimativa da associação é de uma produção de 250 mil a 300 mil litros por mês. As cervejas pernambucanas, reitera Victor, usam o álcool etílico diluído em água, em uma proporção de 25% para 75%, respectivamente. “É um insumo menos nocivo, com mais oferta e maior facilidade de compra”, detalhou o presidente da associação, acrescentado que o caso de Minas Gerais é isolado e “não houve nada parecido no País até hoje”.

“Consultamos todos os associados e estamos acompanhando isso de perto. A investigação está séria e acredito que até o final de janeiro o caso seja resolvido e tenhamos mais segurança sobre o futuro da cerveja artesanal no Brasil”, finalizou o presidente. A Apecerva ainda afirmou na nota que apoia o posicionamento da Associação Brasileira de Cervejas Artesanais [Abracerva] sobre proibir formalmente o uso de dietilenoglicol por qualquer cervejaria.

A Ekäut, marca presente no mercado há quatro anos, reiterou que não utiliza dietilenoglicol ou monoetilenoglicol na sua fabricação. "Como elemento anticongelante no processo de produção das cervejas, a Ekäut usa exclusivamente o etanol, substância que atende aos requisitos de qualidade e oferece total isenção de riscos aos consumidores. Nossos clientes podem ficar tranquilos para consumir os nossos produtos", garantiu o diretor e sócio da marca, Diogo Chiaradia. O representante reforça que o fato ocorrido em Minas ratifica a importância da atenção aos controles de qualidade. "Permanentemente atuamos na melhoria dos nossos processos e controles de forma a preservar a alta qualidade dos nossos produtos", disse.

Consumidores pernambucanos ouvidos pela reportagem afirmaram que, por enquanto, não estão com receio em beber cervejas artesanais. O músico e empresário Sérgio Kyrillos, de 37 anos, tomou a Belorizontina - marca apontada como a contaminada com dietilenoglicol - em junho do ano passado. Segundo ele, cervejarias são indústrias como qualquer outra e poderia ter acontecido com outros tipos de alimentos e bebidas. "Eu tomei a cerveja e estou vivo para contar a história. Venho acompanhando pouco esse caso, mas o que sei é que é a Backer é uma pequena indústria e não daquelas que chamamos de 'cerveja de panela', que a pessoa faz em casa", disse. "Não estou com receio [de consumir] justamente porque se fosse ter teria receio de consumir qualquer produto. Se foi uma sabotagem poderia ter sido aqui também", acrescentou Sérgio.

Já a funcionária pública Natália Souto Maior, de 36 anos, também costuma tomar frequentemente cervejas artesanais e diz não estar preocupada por enquanto. "Ouvi falar desse caso [da Backer], mas não estou acompanhando muito. Não estou com receio de consumir e inclusive conheci recentemente uma marca nova e está tudo tranquilo", falou.

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