Cheque especial terá juro menor

A pedido do BC, Febraban avalia medidas para reduzir as taxas da modalidade, que chegaram a 295,48% ano em 2017

ChequeCheque - Foto: Divulgação

Responsável por boa parte das dívidas dos brasileiros, o cheque especial deve ser reformulado este ano. A ideia do Banco Central (BC) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) é reduzir o custo desta modalidade de crédito, cujos juros chegam a 295,48% ao ano ou 12,14% ao mês. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o cheque especial pode seguir o exemplo do rotativo do cartão de crédito, que passou a ter o tempo de uso limitado no ano passado.

As novas regras do cheque especial, porém, ainda estão sendo estudadas pelos bancos brasileiros. Afinal, desta vez, o Banco Central quer que o próprio sistema financeiro tome as medidas necessárias para a redução dos juros, diferentemente do que houve com o rotativo, quando o Conselho Monetário Nacional (CNM) instaurou as mudanças através de uma resolução. “A Febraban e os bancos estudam formas de melhorar o ambiente de crédito no País e trabalham continuamente para garantir uma redução estrutural do spread bruto - a diferença entre as taxas cobradas nas concessões de crédito e as taxas de captação das instituições financeiras. O cheque especial faz parte desse conjunto de ações do setor bancário”, anunciou a Febraban nessa quarta-feira (17).

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A federação ainda disse que as propostas que estão sendo elaboradas para aperfeiçoar o sistema serão concluídas e anunciadas ainda neste ano. Por isso, a expectativa é que os juros desta modalidade de crédito sofram alguma redução ainda em 2018. De acordo com a Anefac, as taxas do cheque especial são as segundas mais caras do mercado, atrás apenas das do rotativo. Por isso, esta modalidade também responde pela segunda maior parte das dívidas dos brasileiros: 6,7%, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

“Segundo o BC, o brasileiro fica 22 dias por mês, em média, no cheque especial. Ou seja, usa o cheque especial quase o mês inteiro: recebe o salário, paga o cheque especial e uma semana depois já entra no vermelho de novo”, calculou o diretor da Anefac, Miguel Oliveira, acrescentando que as mudanças são um pleito antigo do mercado. “É bom para os bancos, que vão reduzir a inadimplência, e para os consumidores, que poderão liquidar a sua dívida”, explicou.

Oliveira disse ainda as novas regras devem ser semelhantes às do rotativo, que agora só pode ser usado por 30 dias. “Os bancos devem estipular o período que o cliente vai poder usar o cheque especial. Depois disso, a dívida não vai mais poder ficar rolando e o banco terá que oferecer um parcelamento, com juros mais baratos, para que o cliente possa liquidar a sua dívida”, opinou Oliveira, dizendo que, com isso, os juros do rotativo saíram de 500% para 400% ao ano desde abril do ano passado. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) afirmaque a redução foi ainda maior: de 466,4% para 201,1% ao ano.

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