Chesf quer reembolso da Aneel

Estatal vai pedir a devolução dos custos pelas sucessivas reduções na vazão de Sobradinho

Rhayann Vasconcelos, presidente da JSB RecifeRhayann Vasconcelos, presidente da JSB Recife - Foto: Divulgação

 

Depois das sucessivas reduções na vazão de Sobradinho, principal reservatório para geração de energia do Nordeste, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) vai pleitear à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o reembolso dos custos dessa operacionalização. Segundo o diretor de operação, João Henrique Franklin, desde 2013, quando a estiagem passou a ser mais severa, a empresa vem arcando com as exigências feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Agência Nacional de Águas (ANA).
“A gente tem feito redução gradativa em São Francisco, por meio de Sobradinho, há três anos. Antes disso, a vazão era de 1.300 metros cúbicos por segundo (m3/s) e, agora, a perspectiva é que chegue em 700 m3/s nos próximos meses”, explicou. O especialista destacou ainda que, antes de chegar a esses resultados, é necessário que a Companhia analise, dentre tantos fatores, a qualidade da água e o avanço do mar na foz do rio São Francisco. “Tudo isso é custo”, frisou Franklin, que esteve presente no Fórum Pernambuco e o Setor Elétrico Nacional, on­tem, na Reserva do Paiva.
A diminuição da vazão acontece para preservar a pouca água que resta no reservatório e, assim, continuar atendendo os diversos usuários do Velho Chico. Para ele, não é justo que a geradora arque sozinha com os valores. “Não sabemos ainda de quanto estamos falando. Vamos, em breve, fazer esse levantamento para, então, encaminhar à Agência”, adiantou João Henrique. Estudo do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que Sobradinho deve chegar a 3% em dezembro deste ano. Atualmente, está com 7,24% de sua capacidade. Ano passado, a bacia ficou com 1% preenchida. Na época, térmi­­­cas foram acionadas para evitar que houvesse risco de desabastecimento no Nordeste.
“Adianto que o risco de ficar sem energia é mínimo. O sistema é interligado e a troca de energia entre as regiões do País dá segurança ao sistema”, ressaltou. A preocupação, no entanto, é a falta de água para irrigação e para o abastecimento humano.
O gerente executivo do ONS, Saulo Cisneiros, chamou atenção para a conservação do São Francisco. “Hoje a geração de energia (por Sobradinho) é uma consequência. A água do rio deve ser priorizada para os usos múltiplos”, contou. Desde que a seca se instaurou, as contas da Chesf vêm amargando prejuízos. Para reduzir os impactos, o Governo Federal estuda vender ativos. Da Chesf, o ministro de Minas Energia, Fernando Coelho Filho, falou em colocar à disposição participação em Sociedades de Propósito Específico, conforme adiantou a Folha.

 

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