FÓRUM ECONÔMICO

China defende o livre comércio durante fórum econômico

Presidente chinês disse que “ninguém sairá ganhando de uma guerra comercial

Xi JinpingXi Jinping - Foto: Fabrice cofftini/AFP

 

O presidente chinês, Xi Jinping, saiu na última terça-feira (17) em defesa da globalização no primeiro dia do Fórum de Davos, marcado pela chegada nesta semana à Casa Branca de Donald Trump e por suas posições protecionistas. “Não adianta nada culpar a globalização pelos problemas do mundo”, disse Xi em um esperado discurso na estação suíça, onde 3.000 representantes da elite política e econômica se reúnem.

O líder da segunda economia mundial visita pela primei­ra vez o fórum suíço, com uma clara mensagem de defesa do livre comércio e dos mercados abertos frente ao protecionismo. Xi afirmou que “não é possível” cortar os fluxos de capital e pediu uma globalização “mais inclusiva e mais sustentável”, criticando ao mesmo tempo as instituições mundiais, “inadequadas”, segundo ele, porque são “pouco representativas”.

Em outra referência velada a Trump, o presidente chinês disse que “ninguém sairá ganhando de uma guerra comercial. Continuar com o protecionismo é como se fechar em um quarto escuro. É certo que evita o vento e a chuva, mas também a luz e o ar”, concluiu Xi, conhecido pelas metáforas em seus discursos.

Segundo Peter Lacy, diretor global da consultoria Accenture, com este discurso “está claro que o presidente Xi está preparado para tomar a liderança do livre-comércio”. Outros preferem ver na presença do líder chinês o sinal de uma mudança mais profunda da ordem mundial, o ano em que a revolução russa completa 1917.

“Agora, 100 anos depois, temos o líder do maior partido comunista do mundo vindo à principal reunião capitalista para ressaltar as virtudes da globalização”, disse o ex-primeiro-ministro sueco Carl Bildt.

Trump acusou diversas ve­zes as políticas comerciais da China de serem as responsáveis pela perda de milhares de empregos nos Estados Unidos e ameaçou aumentar os impostos dos produtos chineses.

Homem de paz
Embora Trump não tenha viajado a Davos (na sexta-feira assume a presidência em Washington), Anthony Scaramucci, um dos membros da equipe de transição, que o classificou de “homem de paz”, foi à Suíça. Scaramucci afirmou que Trump não considera a Europa fraca, mas pediu um novo tipo de relações, adaptadas “ao século XXI e XXII, não ao XX”.

“Se os chineses realmente acreditam na globalização, eles precisam vir até nós”, afirmou. “O caminho da globalização passa pelos trabalhadores e pela classe média americana”.

Por sua vez, o secretário de Estado norte-americano John Kerry, em seus últimos dias no cargo, saiu em defesa de seus “amigos” europeus, garantindo que “o comércio não é a principal causa da perda de empregos”.

 

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