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China pode multar PwC por auditoria da Evergrande, gigante imobiliária que entrou em crise

Pequim também avalia suspender as operações locais da auditora, que atendeu a incorporadora por anos

PricewaterhouseCoopers (PwC)PricewaterhouseCoopers (PwC) - Foto: Reprodução

A China está prestes a impor uma multa recorde à PricewaterhouseCoopers, mais conhecida por PwC, e suspender algumas das operações locais da empresa de auditoria devido ao seu papel em um dos maiores casos de fraude financeira do país, segundo pessoas próximas ao assunto disseram à Bloomberg.

O Ministério das Finanças (MoF) pode anunciar as penalidades à PwC ainda nesta semana por conta do trabalho de auditoria realizado para a Evergrande, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas. A PwC enfrenta uma multa de pelo menos 1 bilhão de yuans (o correspondente a US$ 138 milhões), disseram as pessoas. Isso superaria a multa recorde anterior para uma firma de contabilidade, os 212 milhões de yuans aplicados à Deloitte em 2023.

Parte das penalidades também pode incluir a suspensão das operações em alguns dos escritórios da PwC no continente, disseram as fontes, acrescentando que a decisão não é final e que os detalhes ainda podem ser alterados.

O MoF e a PwC não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Bloomberg.

A PwC tem estado em destaque depois que a China lançou uma das maiores investigações de fraude financeira da história envolvendo a incorporadora Evergrande. As autoridades, no início deste ano, aplicaram uma multa de 4,18 bilhões de yuans à outrora proeminente empresa imobiliária e disseram que a principal unidade da empresa, Hengda, superestimou sua receita em 564 bilhões de yuans nos dois anos até 2020.

A penalidade prejudicará a reputação da PwC e "afetará negativamente a confiança pública na contabilidade", disse Pingyang Gao, professor de contabilidade e direito da HKU Business School.

"Eu não ficaria surpreso se a participação de mercado de auditoria dessas franquias globais na China diminuísse" ele disse.

A PwC já perdeu alguns clientes chineses em maio, somando-se a uma lista de mais de uma dúzia de empresas que deixou de auditar no país nos últimos dois anos. China Taiping Insurance Holdings, a China Merchants Bank e People’s Insurance Company (Group) of China estavam entre elas.

As penalidades vêm em um momento em que o presidente Xi Jinping tem aumentado o foco no combate aos riscos financeiros e ao crime para estabilizar a segunda maior economia do mundo. Em uma reunião do Politburo, o partido comunista chinês, nesta segunda-feira, Xi instruiu os reguladores financeiros e os governos locais a implementarem novas regras e garantir que a supervisão financeira tenha "força".

A PwC Zhong Tian, uma empresa registrada em Xangai que faz parte da rede global da PwC, foi a auditora da Hengda durante o período em questão. A empresa atuou como auditora da Evergrande por mais de uma década até renunciar em janeiro de 2023 devido a desacordos relacionados à auditoria, segundo a incorporadora.

Entre as Big Four (nome dado às quatro maiores firmas de contabilidade do mundo), a PwC era uma das mais comumente utilizadas por empresas imobiliárias chinesas listadas em Hong Kong, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Ela auditou os balanços de algumas das maiores incorporadoras do país, incluindo a Country Garden e a Sunac China Holdings, antes de também entrarem em falência.

O braço da PwC na China continental, com mais de 1.600 contadores certificados, reportou uma receita de 7,9 bilhões de yuans (US$ 1,1 bilhão) em 2022, tornando-se a maior geradora de receita entre mais de 9.000 concorrentes locais, de acordo com dados oficiais. Ainda assim, isso é uma fração de sua receita global de US$ 50,3 bilhões durante o ano.

A PwC teve problemas em outras jurisdições. Em Hong Kong, o Conselho de Relatórios Financeiros da cidade disse em 2022 que estava analisando as demonstrações financeiras da Evergrande para 2020 e ampliando uma investigação de uma auditoria realizada pela PwC.

A empresa anteriormente se comprometeu a reforçar os controles de governança na Austrália devido a questões de um grave conflito de interesses ao vazar planos fiscais do governo para seus clientes. Sua rede no Reino Unido também foi multada em £5,6 milhões (cerca de R$ 37 milhões) por falhas na auditoria da Babcock International, uma empresa britânica de engenharia.

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