China reduzirá para 15% tarifas dos automóveis importados

A tarifa de 25% aos carros importados, e agora passa a ser 15%, era um dos pontos de atrito comercial com os Estados Unidos

Carros importados na ChinaCarros importados na China - Foto: AFP

A partir de julho, a China reduzirá de 25% para 15% as tarifas aplicadas a veículos importados - informou o Ministério chinês das Finanças nesta terça-feira (22), poucos dias depois do anúncio de um acordo com os Estados Unidos para pôr fim à guerra comercial. Também se reduzirá as tarifas para peças de reposição de automóveis, que cairão dos atuais 8% a 25% para 6%.

O presidente chinês, Xi Jinping, anunciou em abril que reduziria de maneira "considerável" as tarifas sobre automóveis, mas sem detalhes, ou datas. O Ministério das Finanças justificou sua decisão como algo para "promover a reforma da oferta e a transformação e a modernização do setor".

A tarifa de 25% aos carros importados era um dos pontos de atrito comercial com os Estados Unidos, sendo várias vezes citado como exemplo, pelo presidente Donald Trump, da política "protecionista" do regime comunista chinês. Em comparação, os Estados Unidos aplicam tarifas de 2,5% aos carros importados.

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A China é o maior mercado de automóveis do mundo, com vendas de 28,9 milhões de veículos em 2017, segundo dados da federação profissional chinesa CAAM. As marcas estrangeiras dominam o mercado, com 55% das vendas no primeiro trimestre de 2018, embora a maioria fabrique seus veículos na China.

   Guerra comercial desativada

A decisão de Pequim é a segunda a favor dos fabricantes estrangeiros em um mês, depois que o governo anunciou em abril a suspensão dentro de cinco anos das restrições atuais que impedem as companhias estrangeiras de controlarem suas filiais na China.

Por enquanto, as multinacionais que quiserem se instalar no país são obrigadas a criar uma co-empresa com um sócio chinês. Além disso, nenhum fabricante de automóveis estrangeiro pode ter mais de 50% do capital dessas "joint-ventures".

Essas restrições serão suspensas a partir de 2018 para as companhias que fabricam veículos elétricos e híbridos; a partir de 2020, para as de veículos comerciais (caminhonetes e vans); e a partir de 2022, para as que produzem veículos individuais.

China e Estados Unidos pareciam estar à beira de uma guerra comercial, com a ameaça de Trump de impor tarifas a produtos chineses da ordem de 50 bilhões de dólares, mas ambos os países alcançaram um acordo neste fim de semana. Sabe-se, até agora, que a China se comprometeu a aumentar suas importações dos Estados Unidos, em particular nos setores da agricultura e da energia.

Trump exigia uma redução de 200 bilhões de dólares do déficit comercial com a China, que no ano passado alcançou 375 bilhões de dólares, segundo os cálculos de Washington.

Pequim, que também ameaçava retaliar com medidas comerciais, fez um gesto de distensão na sexta-feira com o anúncio de suspensão das medidas contra as importações de sorgo americano.

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