Chuvas geram contas de luz mais baratas

Em razão das fortes precipitações no Sul e Sudeste, a bandeira tarifária deixará de ser vermelha e se tornará verde, em junho

Após as chuvas, o custo extra de energia, que estava previsto até o final do ano, deve ser revistoApós as chuvas, o custo extra de energia, que estava previsto até o final do ano, deve ser revisto - Foto: Paullo Allmeida

As chuvas no Sudeste e Sul do País mudaram radicalmente o cenário das bandeiras tarifárias. É que, há dois meses, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) imaginava que o custo extra fosse incidir na conta de luz até o fim deste ano. O motivo tinha a ver com a baixa perspectiva de reversão hidrológica dos reservatórios do Nordeste, cujas capacidades estão no limite do ideal. No entanto, as elevadas precipitações dos últimos dias contribuíram para que o intercâmbio de energia entre as regiões acontecesse sem a necessidade do acionamento de algumas térmicas, usinas caras e movidas a óleo diesel. A previsão é que, se os índices pluviométricos forem mantidos em ambas as regiões, o mês de julho será também de alívio para o bolso do consumidor. Junho será de bandeira verde.

Especialista no setor elétrico e sócio da Prime Energy, Mateus Tolentino diz que vivemos um verdadeiro paradoxo ao ter uma conta de energia mais barata e reservatórios hidricamente comprometidos. "Enquanto o Sul e o Sudeste registraram chuvas intensas nos últimos dias, Sobradinho deve entrar no volume morto ainda este ano. Como o sistema é interligado e podemos fazer a transferência de energia de um lugar para o outro, tivemos uma mudança abrupta do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que saiu de R$ 471 para R$ 157 por Megawatts-hora (MWh) no Nordeste", destaca. Isso acontece porque o comportamento do PLD depende da quantidade de térmicas acionada. Ou seja, quanto menos usinas são ligadas, mais barato será o PLD.

É o que está acontecendo. A bandeira amarela, por exemplo, começa a ser cobrada quando a usina despachada tem custo superior ou igual a R$ 211,28/MWh e inferior a R$ 422,56/MWh. Já a vermelha é disparada quando as térmicas têm valor de MWh igual ou superior a R$ 422,56, segundo a Aneel.

O mercado recebeu essa informação com surpresa, na análise de Tolentino, pois as regiões estão em período seco (quando não se espera que chova nas cabeceiras dos rios). "A partir do momento em que temos uma anomalia no cenário de chuvas, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) reconsidera os cálculos, que são baseados na oferta e demanda, puxando-os para baixo", ressalta.

Questionado sobre se esta conjuntura deve perdurar, o diretor da comercializadora Eletron Energy, André Cavalcanti, disse ser difícil cravar qualquer cenário diante da oscilação da natureza. "O que posso dizer é que já existem frentes frias para o mês de julho, o que indica uma bandeira mais amena até lá", afirma. Se isso se concretizar, o custo na tarifa da luz pode ficar entre a amarela e a verde, refletindo num PLD abaixo de R$ 150. Mesmo com tanta incerteza, o especialista no assunto, José Antônio Feijó, acredita que não há risco de desabastecimento de energia.

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