CNT aponta infraestrutura como base para integrar regiões e impulsionar a economia
Tiago Veras afirmou, no Conecta Multimodal 2026, que a falta de investimentos em transportes gera gargalos logísticos e compromete o desenvolvimento do país
Encerrando o primeiro dia do Conecta Multimodal 2026, braço de conteúdo da Feira Multimodal Nordeste, a Folha de Pernambuco e o Movimento Econômico, apresentadores e correalizadores da programação realizada entre os dias 4 e 6 de agosto, no Recife Expo Center, no centro do Recife, promoveram a palestra "O papel da infraestrutura de transporte no desenvolvimento regional".
A apresentação foi conduzida pelo gerente executivo de Inteligência em Transporte da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Tiago Veras, que destacou a importância de ampliar os investimentos em infraestrutura para reduzir gargalos logísticos, aumentar a competitividade do país e impulsionar o crescimento econômico das regiões.
No início da palestra, Veras explicou o papel da CNT dentro do Sistema Transporte, formado também pelo Sest Senat e pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL). Segundo ele, a entidade atua na defesa dos interesses do setor e na produção de estudos e pesquisas que subsidiam políticas públicas e decisões estratégicas para o transporte.
"O foco da CNT é produzir conhecimento sobre o setor. Disponibilizamos dados, pesquisas e estudos que ajudam a entender os principais desafios da infraestrutura de transporte no Brasil", afirmou.
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O executivo explicou que a produção desse conhecimento é resultado do trabalho de equipes multidisciplinares, compostas por especialistas em economia, estatística, meio ambiente e inteligência em transporte. Segundo ele, esses levantamentos servem de base para a defesa de pautas do setor junto ao poder público.
"Para atuar, precisamos levar argumentos e dados. A gente convence pelo conhecimento produzido, construído por equipes técnicas que estudam continuamente a realidade do transporte brasileiro", destacou.
Gargalos
Com base nesses estudos, Veras ressaltou que o principal obstáculo enfrentado pelo país é a insuficiência histórica de investimentos. Para ele, as dimensões continentais do Brasil, as diferenças regionais e a complexidade das cadeias produtivas exigem uma infraestrutura capaz de garantir eficiência na movimentação de cargas e passageiros.
"O Brasil é um país muito grande, com diferenças regionais importantes e cadeias produtivas complexas. O transporte precisa atender a toda essa dinâmica e isso só é possível com infraestrutura adequada", disse.
Segundo o gerente executivo, a falta de investimentos ao longo dos anos compromete diretamente a qualidade da malha de transportes, especialmente das rodovias, criando gargalos que elevam os custos logísticos e reduzem a competitividade da economia brasileira.
"A insuficiência de recursos resulta em infraestrutura de menor qualidade e em uma série de problemas que afetam tanto o transporte de cargas quanto o de passageiros", afirmou.
Investimentos
Na avaliação de Veras, a ampliação dos investimentos depende de uma atuação complementar entre os setores público e privado. Embora as concessões tenham papel relevante na expansão da infraestrutura, ele defendeu que o poder público continue investindo em trechos e projetos que não despertam interesse da iniciativa privada, mas possuem grande importância social.
"Há muitas outras questões associadas às decisões de investimento. A CNT defende que o setor público continue investindo na infraestrutura de transporte, enquanto o setor privado concentra seus recursos nas áreas concedidas. Existem projetos que talvez não sejam economicamente atrativos, mas são socialmente essenciais. Não podemos simplesmente dizer que a iniciativa privada dará conta de tudo. É preciso realocar e direcionar os recursos públicos de forma mais eficiente para onde eles fazem sentido para a sociedade", defendeu.
O gerente executivo também reforçou que o transporte desempenha um papel estratégico para a economia nacional e que superar os gargalos da infraestrutura é uma condição indispensável para ampliar a produtividade, integrar as diferentes regiões do país e criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico. "Quando o transporte funciona bem, toda a economia funciona melhor", concluiu.

