Com gasolina cara, venda de etanol disparou em 2018

No geral, o consumo de combustíveis no país ficou estagnado no ano, com alta de apenas 0,03%

Em 2018, o país consumiu 19,4 bilhões de litros de etanol hidratadoEm 2018, o país consumiu 19,4 bilhões de litros de etanol hidratado - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As vendas de etanol hidratado no mercado brasileiro cresceram 42,1% em 2018, segundo dados divulgados nesta terça pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). A alta reflete a busca, pelo consumidor, de alternativa aos altos preços da gasolina durante o ano.

No geral, o consumo de combustíveis no país ficou estagnado no ano, com alta de apenas 0,03%. Para o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, além da economia fraca, os altos preços nos últimos anos contribuíram para o desempenho, que repete anos anteriores.

"O Brasil passou 2016 e 2017 com preços acima do mercado internacional", disse ele, em evento para anunciar o balanço do mercado de combustíveis em 2018. Ele voltou a defender maior competição no mercado de refino, com a venda de refinarias da Petrobras. A ANP chegou a ir ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para questionar a concentração nesse mercado.

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"A venda de refinarias da Petrobras é boa para a sociedade", afirmou Oddone. A estatal tem hoje dois processos de venda de polos de refino em curso e não descarta aprofundar a estratégia de reduzir sua participação no mercado.

No ano passado, o país consumiu 19,4 bilhões de litros de etanol hidratado. "O crescimento foi motivado, em grande parte, pelo ganho de competitividade no preço em relação à gasolina C nos estados com maior produção de etanol", disse à agência.

As vendas de gasolina C (já misturada ao etanol anidro) caíram 13,1%, para 38,3 bilhões de litros. O consumo de etanol anidro caiu na mesma proporção. Ainda sim, o consumo total de etanol cresceu 16,3%, para 29,7 bilhões de litros.

O consumo de diesel teve alta de 1,4%, para 55,5 bilhões de litros, segundo a ANP, devido à recuperação econômica. Com o programa de subvenção criado para por fim à greve dos caminhoneiros, houve queda de 24,5% nas importações — o diesel é o principal combustível importado pelo país.

Após a subvenção, houve diminuição das importações e aumento do peso da Petrobras na compra do produto no exterior, já que os importadores privados recuaram no mercado.

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