Economia

Com juros de 27% ao ano, o dobro da Selic, brasileiro prefere comprar carro zero à vista

Pelo menos 65% adquirem veículo novo sem fazer parcelamento; terceiro trimestre foi o melhor do ano em vendas

Fábrica da VolkswagenFábrica da Volkswagen - Foto: Divulgação/Volkswagen

Com taxa de juros a 27% ao ano nas vendas do setor automotivo, quase o dobro da Selic (a taxa básica de juros) o brasileiro está comprando o carro zero quilômetro à vista. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), associação que representa as montadoras, atualmente 65% das vendas são à vista e 35% a prazo. Normalmente, as vendas financiadas costumam ter um percentual superior às compras à vista.

"A taxa de 27% é oferecida para clientes com bom perfil de crédito. Para quem não tem esse perfil, os juros são ainda maiores, o que afasta muitos consumidores desse mercado", diz Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea.

A inversão entre compras de veículos a prazo e à vista começou em abril do ano passado e, desde então, essa curva só vem aumentando. Esse movimento coincide com o início do ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central, que começou a subir os juros para conter a inflação desde março do ano passado.

O presidente da Anfavea afirma que, mesmo com essa inversão da curva, o mercado ainda não foi impactado negativamente com queda de vendas. O terceiro trimstre deste ano, por exemplo, foi o melhor em vendas do ano. Foram comercializados 585 mil unidades frente as 512 mil do sgeundo trimestre e 406 mil no primeiro trimestre.

"Há uma forte demanda reprimida e ainda acontece uma limitação da produção por conta do problema no abastecimento de semicondutores. Os emplacamentos diários estão crescendo e o mercado continua se aquecendo. Mas há um teto para as vendas à vista. Nossa expectativa é que a Selic comece a cair ano que vem e a curva entre vendas à vista e a prazo comece a se inverter novamente no decorrer de 2023" diz Leite.

Por conta dos juros altos, os prazos de financiamento têm sido ampliados, chegando a 47 meses. Já a taxa de inadimplência subiu batendo em 5,1% e preocupa o setor.

Vendas e produção em alta
A indústria automotiva teve o melhor desempenho do ano no terceiro trimestre, tanto em vendas como em produção. Saíram das linhas demontagem das montadoras 665 mil unidades entre julho e setembro, um crescimento de 11,5% em relação ao trimstre anteior quando foram produzidas 596 mil unidades entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. No primeiro trimestre, a produção foi de 496 mil unidades.

Para chegar à estimativa da Anfavea de vendas 2,14 milhões de unidades este ano, será necessário que até o final do ano sejam vendidas mais 637 mil unidades, o que a entidade considera factível. Em 2021, nos três últimos meses do ano, foram vendidas 542 mil unidades, em 2020 684 mil e em 2019, antes da pandemia, 758 mil unidades.

- É um desafio que temos, mas devemos bater a estimativa. Dezembro o mercado deve aquecer. Só das locadoras, há uma sensação de demanda de 600 mil veículos - diz o presidente da Anfavea.

Vista ao Japão e Taiwan
Márcio de Lima Leite afirmou que uma comitiva brasileira, com representantes da Anfavea, governo e Confedreação Nacional da indústria (CNI) visitou Japão e Taiwan recentemente na tentativa de atrair investidores para produzir semicondutores no Brasil. Leite disse que o governo deverá editar em breve uma Medida Provisória com incentivos fiscais, isenções tributárias e simplificação no sistema de importaão e exportação para atrair esses investiodres.

"O ministro Paulo Guedes disse que a MP será publicada já que o governo quer contratar esse investimento. Já temos uma fárbica com toda a infraestrutra em Minas para agilizar essa produção", afirmou Leite.

O Brasil representa cerca de 2,5% do mercado semicondutores global, o que, segundo o presidente da Anfavea, é um número expresssico. A importações desses chips chega a US$ 13 bilhões ao ano. O tamanho da indústria brasileira, diz leite, justifica esse investimento, Mas o martelo ainda não está batido.

"É um processo, que precisa de vários encontros", afirmou.

Veja também

Meta libera a rivais o uso do sistema operacional "Quest" para criação de óculos de realidade mista
Meta

Meta libera a rivais o uso do sistema operacional "Quest" para criação de óculos de realidade mista

Risco fiscal está "drenando oportunidades" do Brasil, diz Tarcísio
Risco fiscal

Risco fiscal está "drenando oportunidades" do Brasil, diz Tarcísio

Newsletter