Com mais emprego e honestidade

O presidente do Sinduscon-PE, Gustavo de Miranda, traduz bem o sentimento do setor econômico: “nós vivemos em um País em que o povo não quer esmola, quer é trabalhar”.

Vereador Samuel Salazar será o único representante do partido na Câmara do Recife Vereador Samuel Salazar será o único representante do partido na Câmara do Recife  - Foto: Divulgação

Geração de emprego, retomada da produção, combate à corrupção, recuperação da credibilidade política, da confiança nas instituições e nas pessoas fazem parte da receita de representantes dos setores produtivos para que o Brasil volte a crescer e possa retomar o caminho sustentável para dias melhores. Como num mantra, as personalidades entrevistadas pela Folha de Pernambuco repetiram e colocaram no mesmo patamar ações concretas de estímulo ao desenvolvimento econômico junto com mudanças na conduta moral das autoridades públicas para que o Brasil possa entrar nos trilhos. Trabalho é o que defendem. O presidente do Sinduscon-PE, Gustavo de Miranda, traduz bem o sentimento do setor econômico: “nós vivemos em um País em que o povo não quer esmola, quer é trabalhar”.

Stefan Ketter
Presidente da Fiat Chrysler

“Há um fenômeno preocupante em curso no Brasil, que é a redução do peso da indústria na composição do Produto Interno Bruto (PIB). O Brasil se desindustrializou antes de ficar rico. A maior parte dos países desenvolvidos evoluiu da era industrial para a era de serviços quando sua renda per capita já era elevada. O Brasil, por sua vez, parou de se industrializar antes de ficar rico. Nós deveríamos ter continuado por muito tempo ainda um ciclo de expansão industrial antes de entrar, gradualmente, numa fase de serviços muito mais desenvolvida, aumentando nossa renda per capita. Daí decorre um grande desafio nacional: sem reindustrialização, nós não conseguiremos dar um salto na renda nacional e desenvolver os produtos que o mercado espera de nós. Temos de modernizar nossa indústria e revigorar toda a cadeia de produção e fornecimento. Hoje, a indústria perdeu estrutura, elos importantes se enfraqueceram.É preciso reindustrializar nossa cadeia de fornecimento. Colocamos estas convicções em prática ao construir o Polo Automotivo Jeep, em Pernambuco, que inauguramos em 2015”, disse Stefan Ketter, presidente da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) para a América Latina.

Renato Cunha
Presidente do Sindaçucar

“Precisamos da fundação de um Estado mais ágil, voltado para o não desperdício, focado sobretudo em seguranças interna e externa, economia e finanças, na saúde pública, educação, agricultura, energias, infraestrutura de estradas e cidades, desenvolvimento e comércio exterior, ciência e tecnologia e diplomacia internacional de comércio exterior, além de alguns outros temas, inclusive o desenvolvimento regional e a consequente interiorização do País, sem tantos desníveis sócioeconômicos”, defende Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE). Para ele, o País precisa incentivar a geração e manutenção de emprego e renda para a economia, com reestruturação dos meios de taxação dos tributos, simplificando-os e tornando-os com total transparência, via de regra com incidência na base de consumo, assim como na arrecadação do Imposto de Renda. “Ainda na economia, precisamos da inauguração de um ambiente de negócios estável em leis e regras, que promova a consolidação da democracia e a atração de fluxo de investimentos externos para o Brasil”.

Gustavo de Miranda
Presidente do Sinduscon-PE

O setor imobiliário foi um dos que mais sentiu o peso da crise econômica que assolou o País. Em Pernambuco, as demissões atingiram 10 mil trabalhadores. Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco, Gustavo de Miranda, mesmo com esse número negativo, o balanço de 2016 é bom e revela um caminho a seguir. “As construtoras pernambucanas não têm obras atrasadas. Mesmo com trabalhadores a menos, os canteiros de obras seguem construindo", pontuou. Para ele, o País vai melhorar politicamente e economicamente. “A mudança que desejamos para o Brasil é que as pessoas cada vez mais sejam honestas, que respeitem as diferenças e que principalmente cobrem da classe política um compromisso ético e moral. Esses escândalos de corrupção não podem mais acontecer. As más práticas dos políticos causam, sem dúvidas, outras crises, exemplo disso é a atual situação econômica que faz os trabalhores sofrerem. Nós vivemos em um País em que o povo não quer esmola, quer é trabalhar. Acredito que, este ano, tudo vai entrar nos eixos. Com os empresários investindo e gerando mais empregos”, afirmou.

Maciel Oliveira
Vice-presidente do CBHSF

Alimentado pelo rio São Francisco, o reservatório de Sobradinho esteve em 2016 no foco da crise hídrica do Nordeste. O Velho Chico virou assunto de novela e mostrou que está vivo, apesar de faltar cuidados e água. “No ano de 2017, contamos com as perspectivas do retorno das chuvas à bacia do Rio São Francisco, resultando na melhora da situação hidrológica. Mesmo assim, isso não significa que não teremos os inúmeros conflitos, as dificuldades e os problemas na bacia hidrográfica. As diversas comunidades precisam de imediato repensar em uma forma sustentável de desenvolvimento, onde o produzir precisa ser atrelado às questões e preocupações ambientais. O País já vivencia os efeitos das mudanças climáticas e não podemos chegar a cada ano de mãos vazias, sem planejamento. Os municípios da bacia precisam trabalhar imediatamente o convívio, cada vez mais com as situações de secas, e para isso precisa ter um plano municipal de saneamento. Vamos provocar para que isso vire realidade. Esses são desafios que em 2017 estarão na lista de prioridades”, comentou o vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Maciel Oliveira.

Fernando Coelho Filho
Ministro de Minas e Energia

Assim como os demais setores econômicos, o elétrico sentiu os efeitos da crise política, da economia e da estiagem em 2016. Mesmo depois de todos esses impasses, o mercado garante estar mais confiante no diálogo com o Governo, avançando no ambiente de negócios. "Nesses sete meses, focamos na recuperação e na transparência nos setores energético e mineral, reabrindo o diálogo com agentes privados, retomando a capacidade operacional das empresas estatais e trazendo de volta a estabilidade regulatória e a segurança jurídica. O MME e a política energética-mineral terão papel importante para que o Brasil volte a crescer, garantindo energia e minerais fundamentais para a atividade econômica. Para 2017, a recuperação da capacidade da Chesf de investir e atender a população do Nordeste com qualidade e segurança pode resultar na geração de mais de 30 mil empregos. Também estão em nosso planejamento aprimoramentos para a racionalização de subsídios, além de avanços nas regras do Mercado Livre de eletricidade e para o setor de biocombustíveis", afirmou o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho.

Josias Albuquerque
Presidente da Fecomércio

O primeiro passo para o Brasil voltar a crescer é recuperando a credibilidade política, na avaliação do presidente do Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado Pernambuco (Fecomércio-PE), Josias Albuquerque. Com a economia cambaleante, o comércio foi um dos setores mais afetados pela recessão econômica, que deve provocar uma queda de 3,5% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2016.

"Com o desemprego em alta, as pessoas perdem seu poder aquisitivo, logo, não têm como comprar. Tudo isso atrapalha o movimento do comércio que, de maneira geral, está vivenciando um momento de muita dificuldade. Com a retomada do crescimento e da confiança dos investidores, assim como com a volta da geração de empregos, podemos voltar a acreditar em um Brasil melhor, que só poderá começar de fato a ser desenhado quando o Governo Federal merecer credibilidade. Hoje, não existe confiança por parte dos investidores justamente por conta dessa crise política, que termina por atrasar ainda mais o desenvolvimento do Brasil", avalia Josias Albuquerque, ou professor Josias, como é comumente chamado.

 

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