Como proporcionar vida longa às microempresas

'Conhecimento é fundamental tanto para quem já começou como para quem ainda vai começar'

Com mais de 30 anos de mercado, a Azevedo Pescados sabe bem como gerir um negócio mesmo nos momentos difíceis Com mais de 30 anos de mercado, a Azevedo Pescados sabe bem como gerir um negócio mesmo nos momentos difíceis  - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Manter um negócio funcionando plenamente não é tarefa para qualquer um. Desde a grave recessão de 2014 a 2016, muitas empresas fecharam as portas. Hoje, com a economia ainda desfavorável, empresários sentem o impacto e não faltam testemunhos sobre como é complicado manter uma empresa aberta e dando resultado. É um desafio constante. Entretanto, não existe apenas um motivo capaz de fazer uma empresa fechar suas portas, mas sim uma combinação de fatores em quatro grandes áreas: a situação do empresário antes da abertura, o planejamento dos negócios, a capacitação em gestão empresarial e a gestão do negócio em si.

De acordo com a analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PE), Lívia Moura, para sustentar um negócio, o empreendedor precisa sempre focar em levar experiência a seus consumidores. É preciso tratar o consumidor de uma forma a solucionar suas necessidades, mesmo que num curto espaço de tempo. “A questão central não é simplesmente a quantia em dinheiro que você investe, mas o quanto você entende sobre a necessidade daquilo que está resolvendo”, explica. Ainda de acordo com ela, o empresário precisa estar em constante busca para adaptar seu negócio. “Inteligência na gestão é muito importante para não gastar energia em ações que não trazem tanta rentabilidade para sua empresa”, detalha.

Ainda de acordo com o Sebrae, uma pesquisa realizada em 2016 mostra que os custos como impostos, despesas e juros são alguns dos motivos para que 31% das empresas deixassem de funcionar. Quando se fala da forte concorrência, pouca procura e problemas nas vendas, o índice fica em 29%. Foi o que aconteceu com a nutricionista Cristina Lopes que precisou fechar sua empresa que tinha mais de 10 anos de mercado. A empresária tinha um negócio de alimentação saudável, mas de acordo com ela, a concorrência foi uma das razões para fechar as portas. “Não conseguimos nos adaptar ao novo mercado e como esse ramo de alimentação saudável cresceu bastante, a falta de um diferencial nos prejudicou. Hoje eu aconselho sempre a investir em publicidade, que pode ser um contato inicial com seu futuro cliente”, sugeriu.

A analista Lívia Moura ainda explica que algumas medidas podem ser tomadas para evitar que sua empresa fracasse. “Conhecimento é fundamental tanto para quem já começou como para quem ainda vai começar. É necessário conhecer seu público, entender o seu comportamento, investir em estratégias de marketing digital e ficar atento às tendências”, ressalta.

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A dificuldade político-econômica que o País está passando é outro fator importante e que afeta o mercado. É preciso entender, então, como ele se posiciona e é impactado. Enxergar o perfil do consumidor e pensar de uma forma mais ágil para atendê-lo deve ser algo que faz parte do ‘mindset’ do empreendedor. É que há alguns anos atrás, havia uma perspectiva de que era preciso ter um plano muito bem estruturado para diminuir os riscos e assim executar a atividade. Hoje, a proposta acontece de forma inversa. Ainda segundo Lívia, é preciso testar rápido, para errar rápido e assim fazer a remodelagem da empresa. “Essa possibilidade de se colocar diante no mercado como um experimentador de modelo, de público, de produto faz uma grande diferença na gestão do seu negocio. Você não pode ter amarras na empresa. O empresário tem que sentir o que o mercado está pedindo e usar esses indicadores e informações para implementar os aspectos ao negócio em que atua”, destaca a especialista.

É preciso ter diferencial e conhecer bem o produto

Há séculos, a forma de produção de um bem era diferente do que acontece nos dias atuais. Por volta do século XVIII, as pessoas produziam apenas o que consumiam. Entre o fim daquele século e o seguinte, veio a Revolução Industrial, que alterou o processo e inseriu a fabricação em larga escala de uma mesma mercadoria para aumentar a margem de lucro e conseguir mais rentabilidade.

Nos dias atuais, o modelo de negócio mudou e manter uma empresa se tornou um ofício desafiador. E essas adversidades são enfrentadas por todos que atuam no mercado. É como acontece com a gerente da Azevedo Pescados, Yasmin Azevedo. A empresa familiar que fornece pescados e gelo em escamas existe há cerca de 30 anos e desde então já passou por alguns momentos difíceis, mas de acordo com Yasmin - neta dos fundadores -, entender bem o que você oferece para o consumidor é um ponto crucial para continuar bem. “Nos últimos cinco anos, as coisas mudaram muito rápido. Hoje precisamos atender exigências que há alguns anos não eram cobradas”, explica.

Yasmin ainda detalha que é preciso estar sempre atento a algumas peculiaridades para gerir bem o seu negócio. “Estar ligado às novas regulamentações que regem o seu segmento é uma tarefa diária que pode lhe poupar de sofrer multas ou punições por falta de atenção”, ressalta. A empresa hoje tem cerca de 40 funcionários, duas unidades e vende cerca de 60 variedades de pescados. Ainda de acordo com Yasmin, o empresário pode escolher alguns indicadores para acompanhar, como produtos vendidos, produção, contas a pagar, contas a receber. “Desta forma você consegue obter um fluxo de caixa mais alinhado e pode fazer ajustes com seu fornecedor ou até antecipar pagamentos”, esclareceu.

Há menos tempo no mercado, com seis meses, a empresária Patrícia Braga explica que já consegue sentir que administrar um negócio é uma função complicada. Ela é proprietária do brechó Desapego Prime, no bairro de Boa Viagem, que tem uma proposta diferente. O estabelecimento vende produtos usados para mulheres, como roupas importadas, sapatos, acessórios por um preço que chega a ser 90% menor que na loja originária. A empresária explica que os clientes estão mudando e é preciso ter capacidade para se reinventar. “A gente precisa se ajustar de acordo com o que o mercado pede, caso contrario você fecha as portas do dia para noite”, destaca.

Segundo ela, a inovação é um recurso importante para manter-se aberto. “Você precisa mostrar sua identidade e mostrar o seu diferencial para atrair mais clientes. Use ferramentas como redes sociais e planilhas para detalhar todo seu orçamento”, diz.

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