Concessão de crédito para as empresas cresceu 28,2% em março

Empréstimos para pessoas físicas caiu 11,4%

DinheiroDinheiro - Foto: Reprodução / Internet

Com os efeitos econômicos gerados pelas medidas de enfrentamento à pandemia da Covid-19, aumentou a procura por crédito em março. De acordo com dados divulgados, nesta terça-feira (28), pelo Banco Central (BC), enquanto as concessões de crédito para as empresas subiram 28,2%, houve queda de 11,4% para as pessoas físicas, comparado a fevereiro. Os dados são ajustados para o período (dessazonalizados).

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, os dados dessazonalizados são necessários para a análise porque fevereiro tem menos dias úteis do que em março. Além disso, em março é comum haver aumento da demanda das empresas por desconto de duplicata e antecipação de fatura do cartão de crédito. Mesmo assim, segundo ele, em março o crescimento das concessões dessas modalidades foi maior que o esperado, refletindo a necessidade de fluxo de caixa das empresas em meio à pandemia.

As concessões de crédito para empresas e famílias chegou a R$ 396,8 bilhões em março. No acumulado de 2020, comparado com o mesmo período do ano anterior (dados sem ajustes), houve expansão de 27,6% nas concessões de crédito às empresas e de 11,4% para as famílias.

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Demanda

De acordo com Rocha, não há informações sobre o valor total de pedido de empréstimos pelas empresas e pessoas físicas. “Só temos a informação do crédito que foi efetivamente ofertado e podemos deduzir que houve aumento da demanda”, explicou Rocha.

Quanto as dificuldades relatadas por pequenas e médias empresas em terem acesso a crédito, Rocha disse que nos dados divulgados hoje não há segmentação por porte das empresas. “Não temos informações suficientes para afirmar ou negar”, disse.

As modalidades de empréstimos são divididas em dois tipos, o crédito livre e o direcionado. No caso do crédito livre, os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado tem regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

Crédito livre

No caso do crédito livre - desconto de duplicatas, antecipação de faturas de cartão, capital de giro entre outros - para as empresas, as concessões em março chegaram a R$ 216,083 bilhões, com crescimento de 33,5% (dado dessazonalizado), comparado ao mês anterior. Nos três meses do ano, na comparação com igual período de 2019, a expansão chegou a 30%.

“Nas operações de desconto de duplicatas e na de antecipação de fatura de cartão, houve demanda acima do que seria de se esperar só por fatores sazonais”, disse Rocha.

Já para as pessoas físicas as concessões do crédito livre - cheque especial, rotativo do cartão e crédito pessoal, por exemplo - totalizaram R$ 153,911 bilhões, em março, queda de 12% em relação ao mês anterior. No primeiro trimestre, comparado a igual período ao ano passado, o crescimento ficou em 10,6%.

De acordo com Rocha, houve redução nas concessões de crédito para compra de carro e menor uso do cartão de crédito à vista. “As pessoas podem estar adiando a compra de bens duráveis enquanto se vive momento de maior incerteza”, disse Rocha.

Crédito direcionado
As concessões do crédito direcionado para as empresas totalizou R$ 8,828 bilhões, em março, com expansão de 16,7% em relação ao mês anterior. No primeiro trimestre, comparado a igual período de 2019, houve queda de 11,6%.

No caso das pessoas físicas, as concessões do crédito direcionado chegaram a R$ 17,961 bilhões, em março, com queda de 2,3% em março e crescimento de 20,2% no acumulado do ano.

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