Conectados, jovens estão prontos para o trabalho

Ainda este ano, a Geração Z deve representar 32% da força de trabalho no mundo. Essa mudança de paradigma foi tema de um dos debates do REC'n'Play

Larissa Alcântara, diretora institucional da ACE ConsultoriaLarissa Alcântara, diretora institucional da ACE Consultoria - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

O tempo voa. Os jovens que nasceram em meados da década de 90 já estão na faculdade ou até mesmo prontos para começar a vida profissional. Por isso, é preciso entender o impacto da geração Z no mercado de trabalho porque segundo estimativa feita pela Organização das Nações Unidas (ONU), essa geração que nasceu entre os anos 1990 e 2000, será a maioria da população mundial neste ano, representando 32% do total das pessoas da geração Y, nascidas entre 1980 e 1990, sendo a geração mais dominante no mercado de trabalho.

Só nos Estados Unidos de acordo com uma pesquisa da Forbes, em dois anos esses jovens vão representar 20% da força de trabalho, representando cerca de 61 milhões de pessoas novas no mercado de trabalho.

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O assunto foi debatido durante a terceira edição do REC’n’Play, onde a palestra “Impacto das Novas Gerações no Mercado de Trabalho” falou sobre como os jovens da Geração Z devem se comportar no mercado e como as empresas podem priorizar os jovens, e como elas podem compreender as características e o contexto específico que fazem esses jovens serem capazes de cruzar referências de várias fontes de informação e de integrar experiências.

Segundo o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, é importante que as empresas mudem a exigência pelos trabalhos mais tradicionais e prezem para o trabalho coletivo integrando os jovens no processo. “A participação dessa galera mais nova é bem diferente, hoje trabalhamos em equipe, uma forma diferente de trabalhar, e acaba ampliando a capacidade do jovem atuar. Esse tipo de exigência das empresas está diferente, tínhamos exigência por trabalhos mais hierárquicos e hoje temos um conjunto de habilidades, trabalhar em grupo, inteligência emocional, e isso tem que ser tratado como uma prioridade logo quando o jovem chega na empresa”, contou.

A diretora institucional da ACE Consultoria, Larissa Alcântara foi uma das palestrantes sobre o assunto durante o festival que movimentou o bairro do Recife, e destacou que o principal impacto dessa nova geração é no Mindset, na mentalidade sobre questões mais atuais. “Falar sobre isso é preparar as empresas para a entrada dessas pessoas, e elas se preparem para entrar no mercado. Elas já vivenciam isso e essa geração que não vai ser só ousada, elas vão ser ousadas em fazer um negócio acontecer. O impacto que a geração causa é no mindset de inovação, criatividade, diferenciação, diversidade, trabalho em equipe, essa mentalidade diferente já pode ser percebida”, destaca Larissa.

A diretora da ACE reforça que apesar de muito jovens, é importante que não direcionem o mundo sempre para a tecnologia, mas sim abranger todos os tipos de trabalho. “A gente evita grandes talentos quando a gente diz que o mundo é da tecnologia. Quem você quer ser e quais experiências estão contribuindo é o que importa, é ter disposição de ter algo que vai ser importante”, disse Larissa.

Já para o presidente da Federação das Empresas Juniores do Estado de Pernambuco (Fejepe), Marcelo Medeiros, a mudança no perfil do trabalhador por conta da inserção dos jovens da geração Z é um ponto que faz mudar o mercado de trabalho atual. “Olhando o sentido de contratação, compondo o ambiente de trabalho das empresas a gente percebe que existe uma mudança acontecendo no perfil desse trabalhador. Antes a geração que já está consolidada no mercado você dava um direcionamento e elas seguiam, hoje em dia tem uma mudança, o jovem não quer simplesmente saber onde que é para ir, e sim o porque seguir o caminho e contribuir com alguma decisão na empresa”, afirmou.

Marcelo destaca ainda que a presença da tecnologia contribui para que o jovem tenha uma ansiedade em conseguir um melhor cargo. “O jovem é ansioso e basicamente tudo é muito rápido, a tecnologia deixa muito rápido, os processos de consumo hoje em dia estão mais ágeis, o mercado mudou muito. A gente precisa ter pessoas com cabeças novas para poder entender quem são elas, e boa parte das empresas tem como seu público consumidor os jovens, e é preciso ter gente jovem nessas empresas para não ter nenhuma falha de comunicação e alcançar um bom desempenho de mercado”, destacou Marcelo.

O presidente da Fejepe destaca também aspectos que são diretamente relacionados com a atual geração que chega ao mercado. Segundo ele, características como autonomia, pensamento crítico e adaptação são comuns entre essas pessoas. “Essa nova geração quer ter autonomia, resolver problemas e coisas importantes para contribuir com o desempenho. Esse jovem ele também quer ser ouvido, é importante que a empresa dê ouvido a um estagiário, por exemplo, porque são pessoas que tem uma visão mais nova de mercado e tecnológica. Mas o principal fator dessa geração é o sentimento de participação, eles almejam muito por isso”, reforça Medeiros.

Difícil tarefa de atrair novos talentos
Apesar dos jovens estarem em uma crescente chegada ao mercado de trabalho algumas empresas ainda passam por dificuldades no momento de realizar a contratação por conta das novas empresas que surgem e são formadas principalmente por jovens em sua liderança.

De acordo com Marcelo Medeiros, é preciso que a empresa procure alguma forma de se modernizar e tenha presença onde os jovens estão para que ela não deixe ter os jovens no mercado. “É uma dificuldade muito grande a captação de talentos porque as empresas lideradas e formadas por jovens atraem muito mais do que as empresas que tem uma geração mais antiga no comando. Não se atualizar pode acabar ocasionando em uma distância dos jovens, é preciso estar na universidade, rejuvenescer as pessoas do trabalho, ter ideias mais novas e inovar o modelo de negócio podem atrair o jovem que está atento a esses pontos”, conta o presidente da Fejepe.

Segundo o CEO da GeekHunter, Tomás Ferrari, essa geração é muito baseada no empreendedorismo mas que presam muito na imagem que a empresa apresenta ao mercado no momento do trabalho. “São pessoas que já olham muito mais para o desenvolvimento da carreira conectada ao mundo digital. As empresas vão ter que investir ainda mais no marketing da marca porque é um profissional que prioriza a sua reputação no mercado, oferecendo sempre um bom ambiente de trabalho para garantir a competitividade no mercado e fazer com que a geração jovem possa contribuir com todo conhecimento”, destacou.

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