Confiança do empresário em queda e abaixo do patamar de estabilidade em Pernambuco
Aumento dos casos de Covid-19 e ritmo lento da vacinação são fatores que interferem na confiança
Após cinco meses de estabilidade, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) de Pernambuco entre março e abril apresentou queda 11,2% em relação ao mês anterior, saindo de 102,3 para 90,8 pontos, número abaixo do patamar estável de 100 pontos. A queda é reflexo do aumento dos casos e das mortes devido à pandemia da Covid-19 no Estado e do ritmo lento da vacinação.
“Um dos principais fatores com certeza foi a aceleração nessa segunda onda da Covid-19 no Estado, com uma onda crescente de casos e mortes da doença. Atualmente, Pernambuco é o único estado em vermelho, e isso tem impactado bastante a confiança do empresariado local, porque gera toda uma incerteza, com relação à quando essas atividades vão realmente voltar à realidade. A gente também passou por um período com medidas restritivas, com restrição de horários no mês de março e começaram a ser flexibilizados. Além disso, temos um quadro inflacionário adverso, com elevação do peso de itens básicos para o consumidor, como alimentação, combustível e energia elétrica, isso tudo reduz o poder de compra das famílias e dos consumidores e um aumento significativo do endividamento das famílias. Esse fator impacta na perspectiva dos negócios”, explica Ademilson Saraiva, economista da assessoria econômica da Fecomércio-PE.
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Além dos fatores destacados, o ano de 2021, diferente do anterior, não está recebendo os socorros necessários para as famílias e os empresários, como os programas de crédito, que apoiaram parte dos estabelecimentos com recursos subsidiados e com prazos mais longos para pagamentos, além da falta de auxílio às despesas altas, como a folha de pagamento, com a não reedição do Programa de Proteção do Emprego e da Renda que, anteriormente, possibilitou aos empresários suspender os contratos de trabalho e reduzir a carga horária, além de dividir parte do pagamento do salário do funcionário com o Governo Federal.
O pagamento do auxílio emergencial também não foi capaz de segurar a confiança do comércio, visto que, o benefício deste ano está com valores bem abaixo em comparação com o ano passado. O projeto foi reeditado com uma força muito aquém do programa de 2020, que se usar todo o recurso disponibilizado para este ano, não alcançará 25% de todo valor injetado na economia nos 9 meses do ano passado.
Outra questão importante e que entrou em cena com força para adiar a recuperação da economia foi a instalação da CPI para apurar irregularidades na gestão dos recursos da pandemia de covid-19 no país, adiando debates como as aprovações da Reforma Tributária e de outros temas relevantes para que a economia do país possa sair de maneira mais rápida deste cenário extremamente difícil para o desenvolvimento dos negócios.
Analisando a pesquisa, verifica-se que as quedas atingiram todos os sub indicadores, implicando que o empresário pernambucano pode ter entrado em um cenário de expectativas negativas para a economia, o setor e a empresa.
Para o próximo mês, a expectativa é que a confiança continue na zona de avaliação negativa, mas que apresente uma variação positiva entre abril e maio, visto que, no mês de maio, o Dia das Mães pode aquecer parte da demanda e trazer um desempenho menos negativo para os estabelecimentos do setor de comércio de Pernambuco.

