Congresso pode discutir transição mais longa na Previdência, diz secretário

Secretário declarou que há a possibilidade da discussão sobre uma reforma menos rígida

Secretário da previdência, Rogério MarinhoSecretário da previdência, Rogério Marinho - Foto: Jane de Araújo/Agência Senado

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou nesta quinta-feira (04) que o embate acalorado entre a oposição e o ministro Paulo Guedes (Economia) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) não impedirá a aprovação da reforma da Previdência.

Questionado se o governo aceitaria discutir uma reforma menos ambiciosa, com uma regra de transição mais longa para a idade mínima e mesmo a exclusão das mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), o secretário não descartou a possibilidade.

"O que o governo apresentou ao Congresso é o que nós achamos que é adequado, viável e tem justiça social", disse. "É evidente que o Congresso tem capacidade de melhorar o texto e, quando o projeto chegar na etapa de discussão de mérito, nós estamos dispostos a fazer o debate", disse. O ministro Paulo Guedes já afirmou também que o Congresso pode propor modificações.

Leia também:
PSDB e PSD declaram apoio à reforma da Previdência
Industriais defendem reforma da Previdência em nome de juros baixos
Tem que internar quem acha que reforma da Previdência não é necessária, diz Guedes

Marinho afirmou que o governo pretende abrir os cálculos que levaram à construção da proposta "para que a sociedade entenda que cada concessão tem um custo" e que, devido aos gastos públicos elevados, o estado "perdeu a sua capacidade de investir em saúde e educação de qualidade, segurança pública e infraestrutura".

O secretário falou com a imprensa ao sair de um debate sobre a reforma da Previdência na FGV Direito, em São Paulo.Durante o debate, Marinho defendeu a proposta do governo para o BPC, que aumenta de 65 para 70 anos a idade em que idosos de baixa renda teriam acesso ao benefício com valor de um salário mínimo.

Ele destacou que a proposta reduz para 60 anos a idade em que o benefício começaria a ser pago, mas com um valor inferior, de R$ 400. Segundo Marinho, para um trabalhador idoso que não conseguiu tempo de contribuição para se aposentar, como, por exemplo, uma diarista, "R$ 400 por mês faz uma diferença extraordinária", comentou.

Ainda impactados pelo clima da discussão na CCJ, debatedores defenderam que o governo deveria buscar uma reforma viável e menos ambiciosa do que a apresentada pelo ministro Paulo Guedes (Economia), que busca economizar mais de R$ 1 trilhão em dez anos. A reforma da gestão Michel Temer, que chegou a ser aprovada com modificações na Comissão Especial, economizava aproximadamente metade desse valor.

Veja também

'Não está clara a política de preços da Petrobras neste momento de crise energética', diz Lira
Economia

'Não está clara a política de preços da Petrobras neste momento de crise energética', diz Lira

Decreto que destrava rede privativa de 5G está pronto, diz Fabio Faria
Telecomunicações

Decreto que destrava rede privativa de 5G está pronto, diz Fabio Faria