Conheça a história do Entre Amigos, o restaurante que começou em uma banca de chão batido

Rede, atualmente, emprega 300 pessoas e tem capacidade para atender 1,5 mil clientes

Raimundo Dantas e sua irmã, Joana Darc Farias, começaram o negócio sem grandes pretensões e hoje comandam uma rede  de restaurantes Raimundo Dantas e sua irmã, Joana Darc Farias, começaram o negócio sem grandes pretensões e hoje comandam uma rede de restaurantes  - Foto: ALFEU TAVARES

 

Quem vê o proprietário do Grupo Entre Amigos recepcionando os clientes dos seus restaurantes nem imagina que fora dali a conversa ocorre com timidez. Seguro e cativante ao atender o público, Raimundo Dantas, 47 anos, baixa a voz e até se emociona ao contar como criou o negócio ao lado da irmã Joana Darc Farias, 52. Mais prática, ela conduz a conversa enquanto ele enxuga as lágrimas e explica: ver o empreendimento dar tão certo é gratificante, sobretudo para Raimundo, que saiu da fazenda da família, em Picuí, na Paraíba, aos 18 anos para trabalhar como garçom e abriu O Bode sem pretensões, no terreno de areia batida de uma banca de revistas.

O negócio começou na primeira oportunidade de transformar um desejo que parecia sonho em realidade. Raimundo estava há cinco anos no Recife. Trabalhava no Recanto do Picuí. Mas não atingiu o posto de garçom rapidamente. Foi auxiliar de cozinha e ainda passou pelo bar antes de ganhar a bandeja e descobrir a verdadeira vocação. No salão, Raimundo esquece a timidez. Recebe os clientes com um sorriso e rapidez nos pedidos. Fez isso por três anos, até decidir empre­ender. “Esse tempo me mostrou o funcionamento de um restaurante e despertou a vontade de ter o próprio negócio. Então, quando a oportunidade apareceu, não pensei duas vezes”, explica.

O Entre Amigos surgiu em uma quarta-feira de janeiro de 1998. Naquela noite, Raimun­do largou do trabalho e foi conhe­cer uma banca de revistas que estava à venda. Mas o proprietário desistiu do negócio. O garçom acabou tomando uma cerveja para esquecer a desilusão em outra banca de Boa Viagem. Ali, des­cobriu que o dono do pon­to também era paraibano e que­ria vender a banca. Foi o suficiente para voltar correndo para casa e ligar para a ir­mã propondo sociedade. “No fim de semana, ele falou em abrir um negócio. Na quarta, já arrumou o ponto”, lembra Joa­na, que veio para o Recife fechar o negócio.

Raimundo sabia que é no salão do restaurante que se sente bem. E Joana já empre­endia na cidade em que morava na Paraíba. Ela tinha uma loja de presentes e cuidava, sozinha, do estoque e das finanças. Nenhum dos dois estudou para isso, mas se da­vam bem porque carregavam o empreendedorismo e a força de vontade no sangue. Filhos de um fazendeiro e comerciante paraibano, eles usaram esta herança por influê­ncia da mãe, que sempre cultivou a união e colaboração entre os filhos.

Fechado o negócio, Raimundo e Joana se esforçaram para imprimir personalidade à banca. O ponto, que já se chamava Entre Amigos, fun­cionava como bar no final de semana. A estrutura, po­rém, era simples: chão de ter­ra e mesas de ferro sem coberta. Os irmãos capricharam, então, no atendimento e na co­mida: petiscos bem-preparados, fartos e baratos, servidos com cerveja gelada. Logo depois, o bode completou o car­dápio. A ideia foi do marido de Joana, que trabalhava com os animais e fornecia a carne.

Em pouco tempo, o prato se tornou o forte do bar, que pas­sou a ser chamado de O Bo­de pelos clientes. O sucesso permitiu que os irmãos investissem no estabelecimento, que em um ano já não da­va conta da demanda e foi ampliado para a casa vizinha. Criou-se, então, o “Bode No­vo” ao lado do “Bode Velho”, em 1999. Em 2003, a pedido do público, abriram a unidade do Espinheiro.

A partir daí, propostas para franquiar o negócio surgiram a cada mês. Nenhuma delas, no entanto, foi aceita. E o motivo era bem simples: os irmãos não queriam descuidar das próprias casas, nem imprimir sua marca em um restaurante que pudesse não ter a mesma qualidade. “Ficamos conhecidos por oferecer pre­ço justo, comida farta e bom atendimento. E eu não quero perder isso”, diz Raimundo, que até hoje não deixa de ir aos restaurantes e observar o salão.

Em 2010, os empresários refor­maram e uniram O Bode Novo e O Bode Velho. Três anos depois, foi a vez de apostar em uma nova proposta gastronômica: o Entre Amigos Praia, na beira-mar de Boa Viagem. Surgia, então, o Grupo Entre Amigos que emprega 300 pessoas e pode receber 1,5 mil clientes nos três restaurantes, coisa que parecia impensável para o garoto que saiu de Picuí para trabalhar como garçom no Recife.

Hoje, ele não trabalha mais como garçom, mas orienta e ajuda todos os funcionários. Joana fica na administração, com a ajuda da esposa de Raimundo, Najara, no financeiro. O negócio ainda conta com o apoio do marido e dos filhos de Joana.

 

Veja também

Emprego cresce na indústria em um movimento atípico para dezembro
Economia

Emprego cresce na indústria em um movimento atípico para dezembro

Monitor do PIB aponta alta de 1,1% na atividade econômica em novembro
Economia

Monitor do PIB aponta alta de 1,1% na atividade econômica em novembro