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Coronavírus afetou preços, mas não exportações, diz presidente da Petrobras

'Investimos [agora] somente em projetos viáveis do ponto de vista de risco e retorno', afirmou Roberto Castello Branco

Roberto Castello Branco, presidente da PetrobrasRoberto Castello Branco, presidente da Petrobras - Foto: Arquivo /Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Br

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou nesta sexta-feira (7) que o surto de coronavírus na China afetou os preços, mas não as exportações de petróleo da companhia.

Ele afirmou ainda que a estatal está preparada para os preços baixos da matéria-prima. O barril do petróleo tipo brent, referência no mercado, recuou cerca de 15%, para US$ 55. "O coronavírus representa um choque de demanda que acaba se transformando em problema de oferta. Temos fábricas fechadas na China e isso terá efeitos sobre o comportamento da economia global. Até agora, o efeito tem se manifestado nos preços de petróleo, mas preparamos a Petrobras para viver em um panorama de preços baixos", afirmou.

"É um choque de duração temporária. Afetou os preços, mas não nossas exportações e vendas de petróleo. Por enquanto, estamos indo bem".

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Entre as medidas adotadas para a redução dos custos da companhia, Castello Branco citou a redução no nível de endividamento da empresa e a seleção de investimentos com maior retorno.

"Investimos [agora] somente em projetos viáveis do ponto de vista de risco e retorno. Reduzimos a alavancagem da companhia, buscamos a reconquista do grau de investimento. Pagamos mais de US$ 20 bilhões de dívida, [e, com isso,] o custo da dívida já caiu. Fechamos o prédio da empresa na avenida Paulista", listou.

Castello Branco afirmou ainda que a greve dos petroleiros, iniciada há uma semana, tem motivação política e que não afeta a produção da companhia até o momento. "Foi zero [o efeito]. Até agora nenhum barril deixou de ser produzido ou processado", afirmou a jornalistas durante evento na B3 sobre a venda de ações da Petrobras pelo BNDES.

O executivo afirmou que o fechamento da fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados, um dos motivos principais da paralisação iniciada no último sábado (1), ocorreu porque o ativo era deficitário. "Alega-se que a Petrobras está fechando uma companhia que foi adquirida em 2013 e que funcionava como um relógio suíço, [mas] todo ano dava prejuízo. Tivemos R$ 1,5 bilhão perdidos. Tentamos vender, mas ninguém quis. Não havia outro caminho se não fechar a fábrica e demitir os funcionários, que não são da Petrobras", disse.

Castello Branco citou a decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho) que considerou inconstitucional a incorporação dos funcionários da fábrica de fertilizantes ao quadro da petroleira. "A outra possível razão para a greve é o acordo coletivo de trabalho, que foi exaustivamente negociado. A Petrobras tem cumprido rigorosamente com os seus compromissos. O próprio TST não encontrou motivação que não seja política", afirmou.

O tribunal determinou na quinta-feira (6) o bloqueio em contas de sindicatos que participam de greve e liberou a empresa a fazer contratações temporárias enquanto durar a paralisação.

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