A-A+

Coronavírus: incerteza toma conta do mercado

Ainda é cedo para calcular as perdas com o coronavírus, mas países que têm parcerias com a China, como o Brasil, serão impactados

OMS declara emergência internacionalOMS declara emergência internacional - Foto: Michael Tewelde / AFP

Com ruas desertas, escritórios fechados, fábricas paradas e comércio fechado, uma das principais cidades da economia mundial, Xangai, na China, está tomada pelo medo do contágio do coronavírus, que já matou cerca de 250 pessoas e contaminou mais de 10 mil. Em todo o mundo, investidores estão receosos quanto às consequências do surto da “Doença Respiratória de 2019-nCoV”, denominada assim pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que surgiu na cidade de Wuhan, na China. Além dos riscos para a saúde, a disseminação da doença já tem consequências diretas no crescimento da segunda maior economia do mundo e dos países com os quais tem parcerias comerciais.

Ainda é cedo para calcular o impacto na economia chinesa e suas consequências em países como o Brasil, mas especialistas não descartam o registro desses efeitos a qualquer momento. De acordo com o economista e sócio-diretor da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento, Jorge Jatobá, é cedo para que os impactos reais sejam previstos, mas também é certo que os países que atuam com a China podem sofrer perdas importantes.

Leia também:
Coronavírus já provoca corrida às farmácias, e máscaras somem
Coronavírus ainda não afetou exportadores brasileiros, diz secretário
Coronavírus leva a pico de buscas e menções à cerveja Corona no Google e no Twitter


“O impacto será significativo, mas sua extensão é difícil de dizer, porque tudo indica que a doença deve ficar mais séria nos próximos dias, e as coisas podem piorar antes de uma possível melhora do mercado. O impacto não é desprezível. É muito provável que a volatilidade se mantenha com subidas e descidas atingindo os agentes. Investidores podem adiar investimentos, viagens, decisões importantes deixam de ser tomadas”, contou.

O economista destaca ainda para o impacto nas bolsas de valores de todo mundo, mas até o momento quem mais sofre com a doença é o mercado de entretenimento. “A extensão dessa queda vai depender muito da continuidade e do avanço dessa epidemia. As bolsas de valores vão sofrer, principalmente as empresas com atuação no entretenimento, como cinema, teatro, shows, esportes. A primeira atitude por parte dos países que podem ter casos é desestimular grandes aglomerados”, disse.

Na visão do consultor econômico financeiro Tiago Monteiro, a incerteza que o mercado econômico apresenta é pelo fato de que a China não apresenta com tanta clareza as informações a respeito da sua economia. “A gente já teve historicamente coisas parecidas, como o ebola. Mas quando se fala da China, o acesso a informação não é transparente. Os investidores ficam receosos e tem essa pressão na moeda americana. Eles correm para outros investimentos como ouro, dívida pública americana e japonesa”, afirmou.

Tiago ressalta ainda que com a pouca circulação de produtos na China, o Brasil pode se beneficiar com o envio de produtos para a potência asiática, como a carne. “Um impacto é que como as coisas não estão rodando muito bem com a atividade industrial parada, pode ser que tenha uma abertura da importação de produtos brasileiros como proteína. Se a gente exportar mais produtos, por conta da queda na produção deles, podemos atrair o mercado internacional e deixar o mercado interno inflacionado - que por não ficar abastecido pode ter um preço maior. Podemos falar de mais exportações por conta da falta de circulação interna no mercado asiático”, analisou.

Veja também

Curso Mulheres de Negócios, do Sebrae, abre inscrições na próxima segunda-feira (18)
Empreendedorismo

Curso Mulheres de Negócios, do Sebrae, abre inscrições na próxima segunda-feira (18)

Empresas de beleza esperam receita de US$ 30 milhões no mercado árabe
Economia

Empresas de beleza esperam receita de US$ 30 milhões no mercado árabe