Crédito encolhe na Caixa e lucro no 2º tri é sustentado por venda de ações da Petrobras

O crédito para Pessoa Jurídica encolheu 30,7% entre junho do ano passado e deste ano

Caixa Econômica FederalCaixa Econômica Federal - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 Apesar das promessas de que a Caixa Econômica daria crédito "à padaria do seu Joaquim", um exemplo do presidente Pedro Guimarães sobre como seria a sua gestão à frente do banco público, a carteira de crédito encolheu no segundo trimestre de 2019. O crédito para Pessoa Jurídica encolheu 30,7% entre junho do ano passado e deste ano. Para pessoa física, a redução foi de 7,9%. A carteira de crédito rural foi encolhida em 22,7%.

Houve alta no financiamento à habitação, porém bem mais modesta que a dos concorrentes, de 3,6%. A Caixa é o maior banco de financiamento imobiliário do país, com uma carteira de crédito que supera os R$ 450 bilhões. Suas operações dependem em parte do programa Minha Casa, Minha Vida, que sofre com atrasos nos repasses do Tesouro.

Apesar da queda nas operações de empréstimos, o banco conseguiu elevar sua margem financeira (receita com juros, a principal de uma instituição financeira) em 12,8%, a R$ 14,1 bilhões. Atribuiu o resultado maior em operações com valores mobiliários (operações no mercado financeiro) e a um menor custo de captação. A taxa Selic, que é a baliza do custo do crédito, caiu apenas no final de julho, de 6,50% para 6%, mas a expectativa de redução permite que os bancos paguem menos pelo dinheiro dos clientes.

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O lucro do banco público cresceu 21,6%, a R$ 4,2 bilhões. Esse número só foi possível, no entanto, porque considera a entrada em caixa do dinheiro da venda das ações da Petrobras, operação realizada em junho.

Foram contabilizados R$ 2,2 bilhões, que serão devolvidos ao Tesouro Nacional.
Sem esses chamados efeitos extraordinários, e aqui a Caixa inclui ainda a despesa de R$ 683 milhões com um PDV (Programa de Demissão Voluntária), o banco teria lucrado R$ 3,7 bilhões no segundo trimestre, alta de apenas 3%.

A Caixa também divulgou que não conseguiu cobrar mais tarifas de seus clientes no segundo trimestre. A receita com prestação de serviços ficou estável em 12 meses, em R$ 6,6 bilhões. Houve um tombo de 21% nas tarifas com cartões e de 5,3% nas de conta-corrente. A alta de 8,9% nos pagamentos do governo ao banco público para prestação de serviços, a principal origem das receitas de prestação de serviços da Caixa, ajudou a deixar o período no zero a zero.

Os números do banco público destoam dos obtidos pelos quatro maiores bancos de capital aberto do mercado -Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander. No agregado, ainda que o crédito estivesse desacelerando, eles conseguiram ampliar a carteira de crédito no período e também expandir a receita de serviços. No consolidado, eles lucraram 20% mais entre abril e junho.

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