Crédito mais restrito para indústrias em Pernambuco

Das empresas que recorreram, apenas 15,85% conseguiram no Estado. Recurso é fundamental para manutenção das indústrias

Segundo a Fiepe, 85% das indústrias também apresentam queda no faturamento Segundo a Fiepe, 85% das indústrias também apresentam queda no faturamento  - Foto: Divulgação

O acesso ao crédito se tornou uma das principais saídas por parte das empresas para conseguir uma sobrevivência dos negócios durante a pandemia provocada pelo novo coronavírus. Porém, essa é uma realidade diferente nas indústrias pernambucanas. Segundo estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), 84,15% das empresas não conseguiram ter acesso ao recurso.

A pesquisa foi feita com informações de 147 indústrias de Pernambuco, entre os dias 16 e 20 de maio. Os empresários, alegaram que a falta de acesso ao crédito do setor produtivo, a partir das medidas do Governo Federal e Banco Central não chegaram, e precisam de ações para permanecer atuando.

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O gerente de Relações Industriais da Fiepe, Maurício Laranjeira, afirma que a dificuldade na pandemia é uma realidade em todos os setores, mas sem acesso ao crédito nas indústrias, as empresas não vão conseguir se manter. “A dificuldade está sendo geral, vimos que 85% tinham queda de faturamento e com isso a indústria tem um fluxo de caixa complicado, precisa cumprir com as obrigações, pagar o governo, que até isso está difícil. Conseguir o crédito está difícil, restrição por parte dos bancos, tanto público como privados, com receio do que vem pela frente”, disse.

O levantamento destaca que do total das indústrias, 60,9% são pequenas, 23,2% são médias e 11,6% de micro indústrias e 4,3% de grandes empresas, o que não representa um bom cenário a dificuldade no acesso ao crédito, para o gerente de Relações Industriais da Fiepe. “O fluxo de caixa das pequenas já é reduzido pelo porte delas e com menos acesso ao crédito é o caminho para o fim da atividade, não tem como respirar, o crédito deveria ter uma linha mais simplificada, mais facilidade. O grande tem um acesso mais fácil, muito por conta dos consultores, empresas especializadas, e o pequeno não tem esse benefício”, afirmou Laranjeira.

Os dados da Fiepe apontam ainda que 58,5% dos que participaram da pesquisa informaram ter buscado por uma linha de crédito, sendo que 30,5% pertencem à construção civil, 11,1% à indústria têxtil e 9,7% à indústria de alimentos. Neste quesito, boa parte foi de pequenos negócios, com 59,3%, seguido dos 23,3% das médias empresas, 10,5% das micro e 7% das grandes.

Entre as dificuldades que as indústrias enfrentam para aderir ao crédito, estão o baixo limite disponível, com 69,23% dos respondentes, seguido do excesso de exigências por certidões negativas, com 46,15%, exigências de garantias e excesso de burocracia, ambas com 30,77%. Os bancos mais procurados pelos empresários pernambucanos foram a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Como uma solução para melhorar o acesso ao crédito, o gerente da Fiepe acredita que uma simplificação no processo ajudaria na economia. “Simplificar e tornar mais viável, um fundo garantidor para que as operações de crédito se habilitem. Os hábitos dos consumidores são outros, dois meses e meio parados praticamente, ficou um passivo, o crédito vai terá que ser algo estruturado e tem que ser acompanhado para que o mercado depois se regule”, concluiu Maurício.

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