Negócios

Crise do setor de bares e restaurantes se agrava, aponta Abrasel

Maioria das empresas está recorrendo a empréstimos para sobreviver

Novas restrições deverão gerar mais demissõesNovas restrições deverão gerar mais demissões - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Pesquisa nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que a situação do setor tem piorado mês a mês, desde o início da pandemia. Dados de janeiro mostram que 80% dos mais de 1.500 empresários entrevistados em todos os estados já estão operando de novo com novas restrições e que 60% deles fecharam o mês no vermelho. Em setembro do ano passado, eram 53% operando no negativo.

Em relação ao faturamento, é possível verificar uma mudança completa no perfil desses estabelecimentos. Se em janeiro de 2020, 41,3% dos bares e restaurantes tinham um faturamento acima de R$ 140 mil por mês, agora há uma participação mais representativa daqueles que faturam abaixo de R$ 35 mil mensais: 24,5%. Outros 20,8% têm uma receita entre R$ 35 mil e R$ 70 mil.

Em Pernambuco, a seção estadual da Abrasel também levantou alguns dados negativos. Comparando um intervalo de 30 dias entre dezembro e janeiro últimos, os bares e restaurantes apresentaram uma queda no faturamento de 39%, na comparação com o mesmo período entre 2019 e 2020. E este chegou a ser o melhor resultado desde o início da pandemia, uma vez que o setor registrou uma queda de 73% no auge das medidas restritivas do ano passado.

Além disso, a pandemia gerou a demissão de 32,5% do quadro de trabalhadores que atuavam nos bares e restaurantes pernambucanos. Foram um total de 26,5 mil demissões no Estado, de acordo com os dados da CAGED. Esse número poderá aumentar nos próximos dias, segundo a Abrasel, uma vez que 56% dos profissionais trabalham no turno da noite.

No âmbito nacional, o nível de endividamento aumentou significativamente nos últimos 12 meses. Do total de pesquisados, 64% deles informaram que recorreram a empréstimos durante a crise e uma, em cada quatro empresas endividadas, já têm parcelas em atraso. Outro ponto de destaque é que 65% dos bares e restaurantes enquadrados no Simples nacional já estão sob o risco de perder os benefícios da tributação especial.  

 

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