Criticar demora do governo é oportunismo político, não é sério, diz Guedes

Nas últimas semanas, diante do agravamento da pandemia, o governo virou alvo de economistas e parlamentares

Paulo GuedesPaulo Guedes - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Pressionado para acelerar a apresentação de medidas de combate à crise do novo coronavírus, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira (3) que qualquer crítica sobre demora na atuação do governo é oportunismo político.

Nas últimas semanas, diante do agravamento da pandemia, o governo virou alvo de economistas e parlamentares. A avaliação é de que a crise já afeta fortemente a população, enquanto ações de socorro demoram a sair.

"Qualquer crítica de que houve demora no programa eu considero oportunismo político. Eu não considero uma coisa séria. Acho que a atitude séria agora é ajudar a resolver os problemas, não é ficar jogando responsabilidade para um lado ou para outro", disse Guedes em entrevista no Palácio do Planalto.

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Um dos focos de atrito nas últimas semanas foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que criticou o governo em mais de uma ocasião. Na terça-feira (31), ele afirmou que o cronograma do governo para pagar o auxílio de R$ 600 a informais não parecia emergencial.

No mesmo dia, Guedes disse que o auxílio de R$ 600 só começaria a ser pago após o Congresso aprovar uma emenda à Constituição. A declaração foi rebatida por Maia em seguida.

"Se o ministro Paulo Guedes falou hoje, se ele estiver certo hoje, o governo mentiu na ação que impetrou no Supremo Tribunal Federal. [...] Apenas esse esclarecimento, sem nenhuma adjetivação, sem nenhuma crítica, apesar de que seriam merecidas em relação à fala mais uma vez do ministro da economia transferindo a terceiros responsabilidades dele quando nomeado ministro da Economia, superministro, com toda liberdade para nomear toda a sua equipe no ministério da economia", disse o presidente da Câmara na terça.

Maia também afirmou que o presidente Jair Bolsonaro provou que a fala de Guedes não era 100% verdadeira porque o governo acabou liberando os recursos para o auxílio antes da aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) pelo Legislativo.

Na declaração desta sexta, Guedes não fez menção a nomes específicos.
Ele pediu união e afirmou que a saúde e o emprego deve estar acima de qualquer diferença.

"Daqui a três ou quatro meses, quando superarmos essa crise, atravessarmos o problema de saúde, podem voltar de novo com o barulho natural de uma democracia. Pode todo mundo chutar todo mundo de novo, começar a brigalhada, todo mundo atacando todo mundo, mas primeiro estamos todos juntos para resolver o problema da saúde brasileira", afirmou.

De acordo com o ministro, nenhum país emergente anunciou medidas emergenciais mais rápido e em maior volume do que o Brasil.

"A verdade é que em três ou quatro semanas nós saímos de zero para mais de R$ 800 bilhões de recursos para os próximos três meses", afirmou.

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