Economia

Data for Good chega ao Recife

Movimento prega a utilização dos dados (RG, CPF, endereço, telefone e email) na internet para promover o bem

App Rede Mete a Colher foi lançado ontem e serve para denunciar relacionamentos abusivosApp Rede Mete a Colher foi lançado ontem e serve para denunciar relacionamentos abusivos - Foto: Arthur de Souza

Hoje em dia, os dados pessoais já não são mais tão pessoais assim. É que os cidadãos precisam conceder cada vez mais informações - desde nome, CPF e RG até e-mail, telefone e endereço - para ter acesso a serviços e negócios. E até quando não acha, está produzindo dados na internet. Por isso, um movimento que prega a utilização correta desses dados está ganhando força no Brasil. É o Data for Good (Dados para o Bem, na tradução para o português) - iniciativa liderada pelo Social Good Brazil em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e o Instituto Humanize que chegou na última segunda ao Recife.

“Estudos dizem que, até 2025, cada ser humano vai ter em média 4,8 mil interações digitais por dia. É uma interação a cada 30 segundos. Ou seja, estaremos permanentemente conectados e produzindo dados. E, apesar de serem donas dos seus dados, a maioria das pessoas não tem consciência disso”, explicou o líder do movimento, Renato Guimarães, que expôs essa problemática em evento realizado no Porto Digital. “Esses dados estão sendo usados para gerar recursos financeiros nas empresas ou manipular ações públicas. E podem até ser usados para vigiar os cidadãos. Mas eles também podem gerar ações positivas para a sociedade. Podem ser usados, por exemplo, para melhorar os serviços prestados pelo setor público e os produtos oferecidos pelas empresas”, provocou Guimarães, destacando que o Data for Good quer ajudar os brasileiros nessa missão.

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A ideia do movimento é difundir conhecimento sobre essa questão, criando uma “cultura de dados” entre os brasileiros. E, a partir daí, capacitar os interessados, sejam eles agentes da iniciativa privada, da sociedade civil ou do poder público, para que eles possam usar dados em decisões estratégicas e projetos que favoreçam a sociedade. “A ideia é compartilhar conhecimentos e trocar ideias para criar comunidades e estimular ações coletivas”, explicou Guimarães, contando que este foi o terceiro evento do movimento e o primeiro fora de São Paulo. “Recife é a capital da inovação no Nordeste. Então, que este seja o começo de um trabalho colaborativo com parceiros como o Porto Digital”, falou o líder do Data for Good, apoiado pelos representantes do parque tecnológico pernambucano.

“Temos desenvolvido um trabalho de suporte a iniciativas que envolvem o uso de dados abertos e têm impacto social. O que se pode esperar agora, portanto, é que a gente realize mais e intensifique a disseminação dessas práticas”, afirmou o gerente de inovação e empreendedorismo do Porto Digital, André Araújo, contando que o aplicativo Mete a Colher é um desses exemplos pernambucanos bem-sucedidos. “A nossa sociedade tem cada vez mais dados. Usá-los para o bem social é uma obrigação de quem coleta esses dados, porque senão eles serão usados para controlar e induzir comportamentos”, acrescentou o presidente do conselho de administração do Porto Digital, Silvio Meira.

Gerente de estratégia e gestão da Telefônica Vivo, Odair Barros diz que a companhia concorda com Meira e, por isso, é apoiadora do Data for Good. “As principais empresas do mundo são de tecnologia, empresas que souberam explorar os nossos dados e gerar negócios com isso. Da mesma forma, a Vivo tem uma base de 100 milhões de clientes. Então, buscamos usar esses dados para gerar algum benefício para a sociedade e levar esse pensamento para organizações menores que não podem fazer um investimento alto em tecnologia”, explicou Barros, sem revelar quanto a Telefônica aportou no movimento.

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