ECONOMIA

De saída, presidente da Gol enfrentou crise na pandemia e reestruturou empresa

Segundo aérea, transição tem sido preparada há três anos

Avião da Gol Linhas AéreasAvião da Gol Linhas Aéreas - Foto: Divulgação

A companhia aérea Gol anunciou nesta segunda-feira (16) que seu presidente, Paulo Kakinoff, vai deixar o comando da empresa após dez anos no cargo, em julho. O atual vice-presidente de operações da companhia, Celso Ferrer Junior, de 39 anos, vai assumir o posto. A decisão foi comunicada menos de uma semana depois da criação do Grupo Abra, holding em que a família Constantino, sócia majoritária da Gol, e os controladores da Avianca reunirão às duas empresas.

Kakinoff, que liderou a empresa desde julho de 2012, não participou do anúncio da criação da holding no dia  11 de maio. De perfil baixo, ele é estimado por tripulantes e colegas e tido como um executivo de fino trato e gentil no trato pessoal, mas exigente quanto à performance de seus subordinados.

Sob a gestão de Kakinoff, a Gol tem enfrentado a maior crise da história do setor aéreo, em meio à redução de demanda causada pela pandemia do coronavírus. A empresa, que teve prejuízo de R$ 5,99 bilhões em 2020 e R$ 7,22 bilhões em 2021, em razão da demanda reprimida, conseguiu reestruturar seu passivo e renegociar contratos de leasing durante o período mais agudo da pandemia. Neste ano, o cenário tem se revertido: de janeiro a março deste ano, a Gol teve lucro de R$ 2,6 bilhões.

Segundo a Gol, a passagem do bastão na empresa vem sendo preparada há três anos, antes mesmo da pandemia. Constantino Júnior, controlador da Gol e presidente do conselho de administração da empresa, já havia escolhido Ferrer para ser o sucessor de Kakinoff, que passará a ser membro do conselho da aérea.

O atual vice-presidente de operações da Gol é também piloto de aeronaves certificado para operar os modelos Boeing 737-700 e Boeing 737-800 Next Generation, ambos presentes na frota da aérea. Ferrer Junior está na Gol há 14 anos e já ocupou o cargo de vice-presidente de planejamento por quatro anos, 2015 e 2019. Desde então, é vice-presidente de operações. Além de piloto, ele é economista formado peça USP e formado em relações internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Kakinoff assumiu a Gol em meio a um processo de crescimento da demanda doméstica por passagens e enquanto a companhia fazia a incorporação da Webjet, empresa aérea de low cost adquirida em julho de 2011. Em novembro de 2012, quatro meses após assumir, o presidente da Gol anunciou o fim da marca Webjet e a demissão de cerca de 800 funcionários.

Também sob a gestão de Kakinoff, a Gol se aliou à concorrente Latam Brasil, em 2019, para barrar as intenções da Azul de adquirir os slots (horários de pouso e decolagem) da inoperante Avianca Brasil, especialmente em Congonhas. À época, a Azul havia feito uma proposta pelos ativos da empresa, mas as concorrentes costuraram uma proposta com o fundo Elliott, maior credor da Avianca Brasil, e arremataram em leilão os slots da empresa. Como os horários de pouco e decolagem são concessões, a Anac desconsiderou o leilão e distribuiu os slots de maneira que Azul, Latam e Gol receberam horários.

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