ECONOMIA

Debandada das gigantes do petróleo: Shell, BP e Equinor decidem deixar a Rússia

Decisão revela que o cerco a Moscou vai além das sanções financeiras. Ações da petrolífera sediada no Reino Unido chegam a cair 7%

Logo da EquinorLogo da Equinor - Foto: HAKON MOSVOLD LARSEN / AFP

Mais duas gigantes do petróleo decidiram deixar a Rússia, após o ataque à Ucrânia. A Equinor, controlada pelo governo norueguês, disse nesta segunda-feira (28), que vai suspender novos investimentos no país e iniciar o processo de saída das joint-ventures que mantém com companhias de energia russas.

No mesmo dia, a anglo-holandesa Shell também anunciou que vai romper laços com estatais russas e sair de negócios que têm no país. No domingo (27), a petrolífera britânica BP já havia anunciado que se desfaria de sua fatia na estatal russa de petróleo Rosneft.

A exposição da Equinor e da Shell à Rússia é bem menor que a da britânica BP, mas dá a dimensão de como o cerco das potências ocidentais sobre Moscou está se intensificando e vai além das sanções financeiras. Tanto Reino Unido como Noruega integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar liderada pelos EUA.

"Na atual situação, vemos nossa posição como insustentável", disse em nota o presidente-executivo e presidente do Conselho de Administração da Equinor, Anders Opedal.

A empresa atua na Rússia há mais de 30 anos e firmou acordo de cooperação com a Rosneft em 2012, mas não detém participação na companhia russa como a BP. As ações da BP chegaram a cair 7% na Bolsa de Londres nesta segunda-feira.

A Equinor tem cerca de 70 funcionários na Rússia e produz aproximadamente, 25 mil barris diários de óleo, equivalente (que inclui petróleo e gás) no país, uma fatia pequena em relação à sua produção total, de mais de 2 milhões de barris por dia. 

No fim de 2021, os ativos da empresa norueguesa eram avaliados em US$ 1,2 bilhão. Opedal disse que a decisão de sair da Rússia vai impactar o balanço financeiro da companhia, mas não deu detalhes.

O movimento acompanha a decisão do governo norueguês, anunciada no domingo, de desinvestir na Rússia. A Noruega investe recursos públicos em várias empresas e títulos de  países por meio de seu fundo soberano, que é um dos maiores do planeta. Ontem, informou que vai remover os ativos russos de sua carteira.

a Shell detém uma participação de 27,5% na fábrica de gás natural liquefeito Sakhalin-II, 50% na Salym Petroleum Development, que faz prospecção e desenvolvimento de campos na Sibéria Ocidental, e 50% na Gydan, que explora e desenvolve blocos na península de Gydan.

Além sair desses ativos, a Shell afirmou que pretende encerrar seu envolvimento no gasoduto Nord Stream 2, que levaria gás natural da Rússia para a Alemanha.

"Estamos chocados com os acontecimentos na Ucrânia, resultado de um ato de agressão militar sem sentido que ameaça a segurança da Europa", disse Ben van Beurden, presidente-executivo da Shell, em nota.

A Shell disse que suas participações em ativos com a Gazprom somavam US$ 3 bilhões ao fim de 2021.

A BP tem a maior atuação das gigantes de petróleo na Rússia, mas outras empresas do setor atuam no país, o que levanta suspeitas de que podem seguir o caminho da empresa britânica e da Equinor.

A francesa Total tem negócios em território russo que representam cerca de US$ 1,5 bilhão de seu fluxo de caixa ou cerca de 5% do total, e a americana Chevron atua no segmento de lubrificantes.

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