Déficit piora contas em 2016

O Congresso também analisa proposta do governo que cria um teto para conter o crescimento dos gastos públicos, que passarão a ser corrigidos pela inflação se o projeto for aprovado.

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BRASÍLIA (FOLHAPRESS) - O crescimento do déficit da Previdência Social tem sido o principal fator para a piora nas contas do Governo Federal em 2016. No acumulado do ano até agosto, as despesas previdenciárias superam as receitas em R$ 89 bilhões, quase o dobro dos R$ 50 bilhões do mesmo período de 2015, de acordo com dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional.
A receita líquida do Governo recuou quase 7% neste ano, enquanto a arrecadação da Previdência caiu 6,3%. O pagamento de benefícios da Previdência avançou 7,6%, bem acima do aumento de 1% na despesa total do Governo. De acordo com as estimativas, o déficit da Previdência responderá por quase 90% do rombo nas contas públicas em 2016. A estimativa é que o País gaste R$ 169 bilhões além do que arrecada neste ano, valor pouco abaixo da meta de déficit de R$ 170,5 bilhões proposta pelo Governo e aprovada pelo Congresso Nacional.

De acordo com a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, o déficit da Previdência representou, entre janeiro e agosto de 2016, 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto), um forte crescimento em relação ao mesmo período do ano passado, quando era equivalente a 1%, e maior ainda na comparação com 2014, quando ficou em 0,6%.

“Houve uma deterioração muito rápida do déficit da Previdência, que está associado a regras que não são mudadas há muito tempo e que não fazem frente ao envelhecimento muito rápido da população”, disse a secretária. O presidente Michel Temer promete apresentar em breve ao Congresso seu projeto de reforma da Previdência.

O Congresso também analisa proposta do governo que cria um teto para conter o crescimento dos gastos públicos, que passarão a ser corrigidos pela inflação se o projeto for aprovado. “Não tem plano B”, afirmou Vescovi. “Nosso plano está muito claro, divulgado e informado à sociedade.”

NO VERMELHO

No mês passado, as contas do governo federal continuaram no vermelho e fecharam com déficit de R$ 20,3 bilhões, aumento de 270% em relação ao resultado negativo do mesmo mês do ano passado e o pior resultado da série histórica, iniciada em 1997. O déficit acumulado nos primeiros oito meses do ano é de R$ 71,4 bilhões. Nos quatro últimos meses do ano, o déficit total das contas do Governo será de R$ 97,9 bilhões.

 

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