Delações impactam empresas aéreas

Representantes da Latam e da Avianca revelam que sentiram uma queda imediata na demanda

Viagens corporativas foram atingidas fortemente, segundo informações da LatamViagens corporativas foram atingidas fortemente, segundo informações da Latam - Foto: Divulgação

SÃO PAULO (Folhapress) - O dia seguinte à divulgação da notícia da delação da JBS não provocou só uma saída de investidores da Bolsa, mas também atingiu o setor aéreo, com uma freada brusca na demanda por viagens corporativas naquele dia. "É imediato.

Se você tem uma decisão de viajar e sabe que o dólar vai bater lá em cima, segura um pouco mais para comprar", diz Jerome Cadier, novo presidente da Latam Airlines Brasil, sobre "aquela quarta-feira [17]", enfatizando a data para dar a dimensão do impacto. O dólar subiu 8,2% naquele dia, a maior alta em 14 anos.

Segundo o executivo, as turbulência políticas e econômicas pelas quais o País vem passando impedem a consolidação de uma tendência firme de recuperação do setor. Em março, a demanda aérea no País cresceu pela primeira vez em 21 meses.

José Efromovich, presidente do conselho e acionista controlador da Avianca Brasil, também observou, na quinta-feira posterior à notícia da delação da JBS um pico de queda na demanda. Segundo ele, o impacto maior aconteceu nos voos internacionais. "Mas depois retomou o movimento normal. Isso mostra como a economia é sensível a esse tipo de evento", afirma. As companhias não divulgam o tamanho do impacto.

Ele evita atribuir a oscilação ao presidente Michel Temer especificamente, mas lamenta a turbulência política. "A política não pode ficar como está no nosso País.

Ela tem que estar clara para que venham investimentos." As recentes reviravoltas fizeram crescer um sentimento de insegurança e conservadorismo, que nublou a expectativa do setor de voltar a elevar sua capacidade no segundo semestre, após dois anos de corte na frota e nas rotas.

"Não há um padrão firme, uma tendência diária de que os dias seguintes virão como um período melhor. Temos que olhar para a frente com cautela porque ainda não há tendência firme de recuperação. Estávamos mais otimistas antes daquela quarta-feira", diz Cadier.

Boicote
A rede de pizzarias Domino's, uma das maiores cadeias do tipo do mundo, anunciou que não utilizará mais produtos da JBS. "Prezamos muito pela transparência e ética com todos apaixonados por Domino's e compartilhamos do mesmo sentimento de revolta quando esses valores não são levados em consideração", escreve a empresa em comunicado publicado nas redes sociais. "Por isso, queremos esclarecer que não utilizamos mais nenhum produto da marca JBS", completam.

Procurada, a empresa disse por meio de sua assessoria de imprensa que a decisão vale para todas as lojas da marca no Brasil. A JBS fornecia frango em tiras e frango desfiado para a Domino's Pizza havia dois anos.

A JBS, maior processadora de proteína animal do mundo, está no centro da crise política que atinge o governo Michel Temer, acusado de corrupção pelo empresário Joesley Batista. Em delação premiada divulgada em maio, o dono da JBS admite ter pago propina a políticos em troca de vantagens, como favorecimento na concessão de créditos pelo BNDES.

Procurado, o grupo J&F, controlador da JBS, afirmou em nota que "entende que o mecanismo de colaboração com a Justiça está permitindo que o Brasil mude para melhor. A J&F, suas empresas e marcas mantêm a regularidade de suas operações e o foco na oferta de produtos”.

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