Demissões no Estaleiro Atlântico Sul são questionadas

Sindmetal-PE inicia homologação dos desligamentos e promete abrir ação pública no MPT, pois trabalhadores apresentaram doenças ocupacionais

Estaleiro Atlântico SulEstaleiro Atlântico Sul - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

As demissões em massa realizadas nos empreendimentos do Complexo Industrial de Suape devem virar assunto judicial novamente. É que o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE) detectou irregularidades nas 500 rescisões realizadas no início do mês no Estaleiro Atlântico Sul (EAS). Segundo o Sindmetal-PE, boa parte desses trabalhadores foi demitida enquanto se tratava de algum problema de saúde decorrente do trabalho na indústria naval - o que é proibido. Por isso, o Sindmetal-PE vai acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT) contra para recorrer das demissões.

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Presidente do Sindmetal-PE, Henrique Gomes contou que o problema foi constatado nessa quarta-feira (26), quando o sindicato deu início às homologações do pessoal que foi demitido do EAS. “Atendemos 111 pessoas, mas percebemos que 54 desses trabalhadores estão com algum problema de doença devido ao trabalho. Tem muita gente com hérnia de disco, tendinite no ombro, problema no menisco e no ligamento do joelho. Tem gente até com cirurgia marcada”, revelou o presidente sindical, dizendo que está deixando isso claro nas rescisões.

“O pessoal quer fazer a homologação mesmo assim, porque está sem dinheiro e precisa disso para ter acesso ao FGTS e ao seguro-desemprego. Mas estamos fazendo as homologações com ressalva, dizendo que a homologação foi feita apenas por motivos financeiros, como o juiz nos orientou, para deixar esses trabalhadores protegidos”, pontuou Gomes.

Além disso, o sindicato pediu que o Estaleiro Atlântico Sul prorrogue os planos de saúde desses trabalhadores adoentados e recomendou a esse pessoal que procure o Conselho Regional de Medicina para contestar o exame demissional realizado pelos médicos do estaleiro. O Sindmetal-PE ainda promete entrar na Justiça para recorrer dessas demissões quando concluir as homologações e obtiver o número total de desligados vítimas de doença decorrente do trabalho. “Vamos abrir uma ação pública no Ministério Público do Trabalho contra essas demissões de pessoas doentes. Os trabalhadores poderão recorrer judicialmente e pedir reintegração ou indenização por danos morais do estaleiro”, afirmou Gomes, que espera concluir as homologações nesta quinta-feira (27). 

Procurado pela reportagem, o EAS afirmou que “sempre prezou pela saúde de seus empregados" e que "todos os trabalhadores desligados realizam exame demissional afim de atestar sua aptidão pelo médico do trabalho”.

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