Demitir funcionário agora pode resultar em mais gastos depois, dizem especialistas

A medida pode trazer prejuízos a médio prazo

Carteira de trabalhoCarteira de trabalho - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

 Demitir funcionários parece ser a única saída para muitos empreendedores em momentos de crise. A medida, porém, pode trazer prejuízos a médio prazo."Se o empregado não tem alto nível de qualificação e não ganha um salário alto, demiti-lo pode ser uma opção para manter a sustentabilidade da empresa", diz Denise Delboni, advogada e professora da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Já em setores que exigem mão de obra superqualificada, difícil de ser treinada, o ideal é pensar em alternativas para não demitir. "Quando a crise passar, o empreendedor vai precisar da competência de seus funcionários", explica a especialista. Essa regra vale principalmente para o comércio, que teve seu funcionamento afetado pelo avanço do coronavírus. "Muitos negócios poderão retornar à normalidade quando tudo isso passar. Outros setores, porém, vão demorar mais para voltar, como é o caso do turismo", afirma.
Para a professora, empresas que fazem parte desse último grupo terão dificuldades de se manter sem demitir.

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"A companhia não sabe se vai estar viva amanhã, como vai fazer algum acordo com seus empregados?"Mesmo assim, antes de dispensar funcionários é possível recorrer a outras alternativas, diz Sandra Fiorentini, consultora do Sebrae-SP. "A primeira possibilidade é antecipar as férias dos empregados."

O empresário tem esse direito e, pela medida provisória 927, que estabeleceu mudanças nas leis trabalhistas durante a pandemia, o adicional correspondente a 1/3 das férias pago pela empresa poderá ser depositado até 20 de dezembro. "Além disso, também é sugerido antecipar banco de horas e feriados." Outra saída é reduzir de 25% a 70% jornadas e salários, como o previso pela MP 936, ou ainda suspender o contrato de trabalho neste período.

"Uma última alternativa pode ser buscar auxílio nas linhas de crédito para financiamento da folha de pagamento", afirma Fiorentini. Se, mesmo depois de tudo isso, o empresário ainda precisar demitir, alguns critérios podem ser seguidos para ajudar na decisão de quem cortar.

A qualificação do profissional e o custo que a demissão pode causar à empresa são pontos a serem analisados. Outra forma de selecionar quem fica é escolher aqueles que são mais dependentes financeiramente do trabalho. O empresário André Makoto, 42, sócio do restaurante Malibu Park, no bairro da Aclimação, em São Paulo, precisou demitir dois garçons e dispensar outros dois funcionários que estavam em fase de experiência. Ele optou por manter apenas a equipe da cozinha e do bar.

"Tivemos uma queda de 50% de clientes já na semana que antecedeu a quarentena", diz.
André também reduziu o consumo de energia e renegociou o valor do aluguel e de contratos com seus fornecedores. Ele ainda aumentou a oferta de pratos em aplicativos de entrega. Mesmo assim, o faturamento, que antes estava na casa dos R$ 150 mil por mês, foi reduzido para cerca de um sexto do valor.

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