Economia

Desemprego atinge a poupança

Saques somaram R$ 1,98 trilhão e os depósitos foram de R$ 1,94 trilhão. Com isso, déficit foi de R$ 40,7 bi

Fórum “Novos Cenários Econômicos e seus impactos para 2020” será no próximo dia 07/11Fórum “Novos Cenários Econômicos e seus impactos para 2020” será no próximo dia 07/11 - Foto: Divulgação

 

A crise econômica fez a poupança amargar mais um ano negativo em 2016. É que, com o aumento do desemprego e o arrocho da inflação, os brasileiros deixaram de aplicar e tiraram dinheiro da caderneta. De acordo com boletim divulgado ontem pelo Banco Central (BC), os saques somaram R$ 1,98 trilhão no ano passado. Já os depósitos totalizaram R$ 1,94 trilhão. Por isso, a poupança fechou 2016 com um déficit de R$ 40,7 bilhões.

Este é o segundo ano em que os saques superam os depósitos na aplicação que, por anos, foi a maior aliada dos brasileiros na hora de economizar. Segundo o BC, a poupança teve resultados positivos por dez anos consecutivos, de 1995 a 2014. Com a eclosão da crise, no entanto, o jogo virou. Em 2015, a aplicação teve a maior captação negativa da história: R$ 53,5 bilhões, número que, segundo especialistas, só se compara aos do Governo Collor.

Em 2016, o déficit já foi um pouco menor: R$ 40,7 bilhões. Porém, o total retirado da aplicação foi o maior desde o início da série histórica do BC, de 1995. Os saques totalizam R$ 1,98 trilhão, quase R$ 30 milhões a mais que os efetuados em 2015. Afinal, só em dois meses do ano (novembro e dezembro), os depósitos superaram os saques em 2016. E especialistas afirmam que este alto volume de retiradas está diretamente ligado ao aumento do desemprego, que já atinge R$ 12,1 milhões de pessoas.

“A economia brasileira nunca viveu um ano tão ruim em termos de emprego quanto 2016. E muitas das pessoas que perderam o emprego não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho. Prova disso é que que estamos caminhando para 13 milhões de desempregados. Por isso, o jeito foi tirar o dinheiro que ainda havia na poupança para suprir despesas básicas. Não foi nem para fazer compras supérfluas, mas para suprir os gastos alimentares, pagar as contas de casa e quitar as dívidas”, esclareceu o professor de economia da Faculdade dos Guararapes (FG) Roberto Ferreira, lembrando que a poupança é usada sobretudo pela população de baixa e média renda, a mais atingida pelas demissões.

Não bastasse isso, investidores com maior poder aquisitivo também deixaram de depositar na poupança para apostar em aplicações mais rentáveis, como o Tesouro Direto, que, por sua vez, teve recordes de aplicações no ao passado. Afinal, em 2015, a poupança perdeu rentabilidade com a alta da inflação. Naquele ano, a caderneta rendeu 8,07%, mas acumulou perda de 2% por causa da inflação de 10,7%. E este cenário deficitário se repetiu até meados do ano passado.

“Isso mexeu com a cabeça do investidor, fazendo com que muitos continuassem a retirar dinheiro da poupança, mesmo com a possibilidade de que a aplicação feche o ano com rentabilidade de quase 2%”, disse o planejador financeiro Paulo Marostica, explicando que a caderneta rendeu 8,34% em 2016 e a expectativa é que a inflação do ano passado fique perto dos 6,5%.

 

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