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Desemprego de 7,5% é o menor em 10 anos para abril, diz IBGE

A taxa de desemprego no País caiu de 7,9% no trimestre móvel encerrado em março para 7,5% no trimestre encerrado em abril

Carteira de trabalho digitalCarteira de trabalho digital - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Duas pesquisas que medem o mercado de trabalho no Brasil divulgadas nesta quarta-feira, 29 - a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho - trouxeram números positivos, confirmando que o mercado está aquecido, com criação de vagas, aumento de salário médio, de massa salarial e queda do desemprego. No entanto, especialistas alertam que, ao mesmo tempo em que o desemprego cai e a circulação de dinheiro aumenta na economia, há pressão sobre a inflação, o que pode dificultar o corte da taxa básica de juros (Selic), pelo Banco Central (BC), atualmente em 10,50%.

A taxa de desemprego no País caiu de 7,9% no trimestre móvel encerrado em março para 7,5% no trimestre encerrado em abril, segundo dados da Pnad Contínua. O resultado - o mais baixo para este período do ano desde 2014 - surpreendeu até as previsões mais otimistas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), que estimavam uma taxa de desemprego mais elevada, entre 7,6% e 8,2%, com mediana de 7,7%.

Os números do Caged também vieram acima das expectativas. Após a criação de 244.716 vagas em março (dado revisado), o mercado de trabalho formal registrou um saldo positivo de 240.033 vagas em abril, informou o órgão.

O resultado do quarto mês de 2024 decorreu de 2.260.439 admissões e 2.020.406 demissões. Em abril de 2023, houve abertura de 181.761 vagas com carteira assinada, na série ajustada. O dado de abril deste ano é o melhor resultado para o mês na série histórica do Novo Caged, iniciada em 2020.

O mercado financeiro esperava um avanço no emprego no mês, e o resultado veio no teto das estimativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast. A mediana indicava a abertura de 210 mil postos de trabalho, e o intervalo das estimativas, todas positivas, variavam de 180 mil a 240 mil vagas.

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2024, o saldo do Caged é positivo em 958.425 vagas. No mesmo período do ano passado, houve criação líquida de 718.576 postos formais. Ao mesmo tempo, a população desocupada recuou em 78 mil pessoas em um trimestre, para 8,213 milhões de desempregados. Em um ano, 882 mil pessoas deixaram o desemprego.

"Passado o aumento sazonal do desemprego no primeiro trimestre, observamos uma retomada do movimento de queda da taxa de desemprego, sinal da solidez do mercado de trabalho como um dos principais vetores para a expansão da demanda este ano", observou, em nota, o economista Rafael Perez, da casa de análises de investimentos Suno Research. "O crescimento mais forte da atividade neste começo do ano está bastante relacionado com o baixo desemprego e alta dos salários, o que tem se refletido numa expansão mais forte da economia", completou Perez, prevendo uma acomodação na taxa de desemprego nos atuais patamares para o restante de 2024.

Pressão sobre inflação
"Com a taxa de desemprego em patamar historicamente baixo, os empregadores devem reajustar os salários acima dos ganhos de produtividade e repassar o aumento de custo aos preços finais. Por isso, o mercado de trabalho deve continuar pressionando a inflação de serviços, setor mais intensivo em mão de obra", disse a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, em comentário.

Para o economista da MAG Investimentos Felipe Rodrigo de Oliveira, os números positivos do mercado de trabalho devem reforçar a postura cautelosa por parte do Banco Central, que em sua avaliação não deve realizar mais cortes na Selic em 2024, com o juro básico encerrando o ano em 10,50%.

Oliveira afirmou que a divulgação de ontem "coloca ceticismo" sobre a desaceleração da inflação dos serviços, que é um ponto de preocupação que o BC tem demonstrado em suas últimas comunicações. "O BC tem buscado atacar a inflação de serviços, que responde muito ao desempenho do mercado de trabalho, que está em nível historicamente baixo."

De acordo com o economista da Terra Investimentos Homero Guizzo, "se o mercado de trabalho continuar "apertado" (com falta de mão de obra) como está, esse alívio em serviços não deve se sustentar", disse. "Isso será uma dor de cabeça para a condução do Banco Central, cedo ou tarde."

O Bradesco deve aumentar sua projeção de criação de empregos formais no Brasil em 2024, hoje de pouco menos de 2 milhões de novas vagas. "O resultado do Caged referente a abril reforça a mensagem de um mercado de trabalho aquecido, assim como observado na Pnad", dizem os economistas do banco, em relatório. "Nossa projeção, de criação de pouco menos de 2 milhões de empregos formais no ano, tende a ser revisada para cima."

Segundo a instituição, o crescimento acelerado dos trabalhadores formais vai contribuir para manter o consumo das famílias em alta, com impacto positivo no Produto Interno Bruto (PIB). O banco estima crescimento de 2,3% este ano para a economia brasileira.

Salário médio subiu 0,8%, para R$ 3.151
Com mais pessoas trabalhando e vagas mais qualificadas sendo criadas, a massa de salários em circulação na economia chegou a R$ 313,137 bilhões no trimestre encerrado em abril, um aumento de R$ 3,296 bilhões em relação ao trimestre móvel anterior, terminado em janeiro, segundo o IBGE.

O rendimento médio dos trabalhadores ocupados teve alta real de 0,8% em um trimestre, para R$ 3.151. De acordo com a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, a renda do trabalhador cresceu puxada pela expansão do emprego formal, que tradicionalmente oferece remuneração mais elevada do que ocupações informais.

A população ocupada chegou a um total de 100,804 milhões de pessoas trabalhando no trimestre até abril. Em um ano, mais 2,773 milhões de trabalhadores encontraram uma ocupação.

Emprego formal
A melhora no emprego em abril foi impulsionada pela expansão do trabalho formal, ao passo que o contingente de pessoas atuando na informalidade diminuiu. Houve geração de 239 mil vagas com carteira assinada no setor privado em um trimestre, levando o total de pessoas trabalhando nessas condições a um recorde de 38,188 milhões. Em um ano, 1,382 milhão de vagas com carteira assinada foram criadas no setor privado.

Ainda segundo o IBGE, a população trabalhando sem carteira assinada no setor privado totalizou 13,538 milhões, 95 mil a mais do que no trimestre anterior. Em relação ao trimestre até abril de 2023, foram abertas 813 mil vagas sem carteira no setor privado.

Onde estão as vagas
De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a abertura de vagas formais em abril foi novamente puxada pelo desempenho do setor de serviços, com a criação de 138.309 postos, seguido pela indústria geral, que abriu 35.990 vagas.

O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada foi de R$ 2.126,16 em abril, alta de R$ 36,96 ante março.

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