Desemprego só recuará em 2018

Tendência é de estabilidade na elevada taxa de desocupação do País, segundo especialistas

Total de desocupados foi de 12,342 milhões no quarto trimestre de 2016Total de desocupados foi de 12,342 milhões no quarto trimestre de 2016 - Foto: Arthur Mota

 

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 12% no trimestre encerrado em dezembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o mais elevado da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. O número de desocupados foi de 12,342 milhões no trimestre encerrado em dezembro, recorde também. No quarto trimestre de 2015, a taxa era de 9%.

Em um ano, o número de desocupados cresceu em 3,3 milhões, aumento de 36%. Segundo especialistas, as medidas tomadas para reduzir os juros e a inflação só devem influenciar o resultado a partir de 2018.

Para o economista Luiz Maia, pelo menos até o fim deste ano, o nível de desemprego vai se manter estável. “No cenário macroeconômico, podemos prever a retomada da economia com a política de redução de juros e inflação. Porém, quando se trata de emprego, a realidade diverge e deve ser de fato o último passo desse processo” de recuperação, avalia.

Representante de um dos setores que, segundo o IBGE, mais fechou postos de trabalho em 2016, com 857 mil pessoas desempregadas, José Simões, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco (Sinduscon-PE), ratifica a projeção feita por Maia.

Para José Simões, apesar de esperar estabilidade no número de trabalhadores neste ano, apenas no próximo serão colhidos frutos da atual política econômica. “A perspectiva depende da situação macroeconômica do País. O que esperamos é que através das novas medidas que o Governo tomar em relação aos programas habitacionais, haja uma lenta e gradual retomada do mercado e, consequentemente, da contratação em 2018”, endossa ele.

A perspectiva de recuperação apenas em 2018 chega como um banho de água fria para a estudante de fisioterapia Alice Almeida. “Faz dois anos que procuro diariamente uma colocação no mercado de trabalho. Desde que conclui o ensino médio, essa vem sendo, junto com a conclusão do meu curso, a minha meta”, revela.

Momento semelhante vive Carlos Silva, que tem 17 anos e sonha em cursar fisioterapia, não vê a hora de conseguir um emprego, seja qual ele for. “Por nunca ter trabalhado, não posso escolher em que trabalhar. Na minha casa, das cinco pessoas, apenas meu pai está trabalhando e quero poder ajudar”, conta. Na casa de Déborah Nascimento, 20 anos, a situação é grave. Por lá, apenas a irmã mais velha trabalha. “Essa situação é desesperadora”, diz a ex-operadora de telemarketing.

Crise
A taxa mundial de desemprego continuará subindo em 2017, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O novo relatório divulgado pela organização estima que este ano haverá um aumento de 3,4 milhões de pessoas desempregadas.

A previsão é que o número de pessoas desempregadas no mundo inteiro chegue a aproximadamente 201 milhões. A tendência de crescimento deve se estender até 2018, ano que deve registrar aumento de 2,7 milhões de desempregados em relação a 2017.

 

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