Dinheiro é o de menos na relação com animais

Manter o bichinho de estimação em casa é sinônimo de gasto fixo no mês. Quem tem sabe que vale a pena

Carlos Siqueira é presidente do PSBCarlos Siqueira é presidente do PSB - Foto: Divulgação

Atrás apenas dos Estados Unidos e Reino Unido, o Brasil ocupa a terceira colocação quando o assunto é gasto com animal de estimação. Segundo estudo realizado pela Associação Brasileira da Indústria e Produtos de Animais de Estimação (Abinpet), por mês, em média, o brasileiro gasta R$ 216,5 com cães e R$ 120 com gatos, espécies domésticas mais populares entre as demais.

O levantamento oferece um panorama dos preços praticados pelo mercado, mas deve-se levar em conta, por exemplo, que o tutor de um cão ou gato não precisará aplicar vermífugo no animal todo mês, mas geralmente a cada seis meses. Para as vacinas, foram consideradas doses anuais. “Possuímos também consciência que os preços praticados pelo mercado pet sofrem grande carga tributária, que já ultrapassam os 50% do valor cobrado ao consumidor final. Dessa forma, o acesso a produtos e serviços torna-se difícil à população, principalmente a de menor renda”, revela o presidente executivo da Abinpet, José Edson Galvão de França.

Para ele, em tempos de crise, o mercado pet mantém certa resiliência em relação a outros setores econômicos por conta da relevância do pet para a família brasileira. “Há uma relação afetiva que coloca o animal de estimação automaticamente dentro do orçamento doméstico. Neste sentido, o consumidor, por exemplo, quando se fala de alimentação, o consumidor pode migrar de um produto premium para um standard, mas não corta o investimento”, ressalta.

Porém, se o custo mensal para manter os bichanos é alto, para grande parte dos criadores, isso não importa. Isto porque, diferente do passado, hoje, quem tem um bicho de estimação, o coloca como parte integrante da família. “Minha Sushi é como se fosse a filha que ainda não tive, logo, cuido dela da melhor forma possível. Para tanto, uma vez que ela vive dentro de casa, na minha cama, procuro manter o banho, a vermifugação e o antiparasitário sempre em dia, além, é claro, de optar por um alimento de qualidade nutricional indicado pelo veterinário”, revela a médica Bárbara Fernandes.

Segundo ela, por mês, sem contar com as vacinas, o custo com alimentação e higiene da sua gata chega a R$ 100. “Em tempo de vacina e ida ao veterinário, por exemplo, quando tem medicamentos para comprar, esse valor pode triplicar. Mas não me importo, gastaria até mais se assim fosse necessário”, ressalta a médica.

Já para a administradora de empresa, Kátia Buono, que gasta uma média de R$ 250, por mês, com sua cadela Angel, o custo de ter um animal é secundário se comparado à felicidade que ela representa em sua vida. “Para mim, não há diferença entre um filho e um animal de estimação. Neste sentido, não é apenas pegar e colocar dentro de casa. Temos que cuidar muito bem desses seres que nos compensam com seu carinho e compreensão dentro da sua evolução. Se, para isso, precisamos gastar, que assim seja”, conta a administradora.

Além do amor incondicional por seus animais, Bárbara e Kátia têm mais coisas em comum - cuidam de seus bichinhos em um pet shop perto de suas residências. Segundo a pesquisa da Abinpet, assim como elas, essa é a preferência de 36% dos donos de animais de estimação. “Sempre procurei um local que atendesse a necessidade do meu animal e quando ele é perto de casa, melhor ain­­da”, afirma Kátia Buono.

Dono de um pet em Afogados, na Zona Oeste do Recife, o empresário Rafael Platini confirma essa tendência. Segundo ele, desde que abriu a Paraíso dos Pets, há três anos, a clientela só vem crescendo. “Temos a consciência que o mercado pet vem crescendo ao longo do tempo e eles sendo reconhecidos como membro da família. Neste sentido, acredito que oferecer um mix de opções que vai além do tradicional banho e tosa é o segredo para se manter crescendo no mercado e se consolidar como preferência do público consumidor que mora na região”, destaca Platini.

Mercado
No Brasil há 132 milhões de animais de estimação. Desses, 52,2 milhões são cães e 22,1 milhões são gatos. No ano passado, o segmento pet faturou nada menos que R$18 bilhões, crescimento de 7,6% em relação a 2014. Até o fim de 2016, o setor deverá atingir um faturamento de R$ 19,2 bilhões, alta de 6,7%, se comparado a 2015.

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