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Disputa no mercado cervejeiro em Pernambuco

Uma disputa judicial entre o Grupo Heineken e a pernambucana Mediterrânea Distribuidora de Bebidas está pondo em risco a manutenção das duas fábricas de cerveja que a marca holandesa possui em Igarassu e no Recife, e que representam 1,3 mil empregos.

Tropardi disse que cerveja não será mais produzida no EstadoTropardi disse que cerveja não será mais produzida no Estado - Foto: Ed Machado

Uma disputa judicial entre o Grupo Heineken e a pernambucana Mediterrânea Distribuidora de Bebidas está pondo em risco a manutenção das duas fábricas de cerveja que a marca holandesa possui em Igarassu e no Recife, em Pernambuco, e que representam 1,3 mil empregos. De um lado, a distribuidora diz que a Heineken deixou de lhe fornecer produtos e também não quitou uma dívida de R$ 467 milhões. E, do outro, a Heineken reclama que uma decisão judicial obriga a empresa a praticar preços inferiores aos do mercado com a Mediterrânea, equivalente a R$ 0,279 pela lata da cerveja Schin de 350 ml.

Segundo a vice-presidente de assuntos corporativos da Heineken Brasil, Nelcina Tropardi, a empresa possui outras cinco distribuidoras no Estado, mas só a Mediterrânea paga R$ 0,279. “O tribunal fixou um preço de revenda da ordem de centavos para quatro dos nossos produtos. Esse preço não paga nem a pauta fiscal do Estado e, por isso, gera uma perda mensal de R$ 10 milhões. O prejuízo acumulado já é de quase R$ 100 milhões”, reclamou Nelcina. A empresa recorreu da decisão judicial para manter as operações de Pernambuco. Segundo ela, a cerveja Heineken será, até o fim do ano, produzida na Bahia, em vez de Pernambuco.

"Não posso ficar operando em um estado assim. Estamos pleiteando a revisão do preço porque esse preço pode levar ao fechamento das duas fábricas do Estado, comprometendo 1,3 mil empregos em um momento de crise”, afirmou Nelcina. “Temos esperança de que essa situação se resolva nos próximos dois meses”, disse.

A distribuidora, por sua vez, conta que ao contrário do que afirma a Heineken, foi a empresa que deixou de lhe fornecer produtos e também não quitou a dívida que tem com a Mediterrânea de R$ 467 milhões. “O fato de investir em outro estado e é uma forma de pressionar os poderes constituídos para alcançar seu objetivo, que é retirar a Mediterrânea do mercado e assumir suas áreas de distribuição em Pernambuco e na Paraíba”, argumenta o advogada do Mediterrânea, Rodrigo Beltrão. Ele completa dizendo que prova da postura incorreta da Heineken são as decisões judiciais favoráveis à distribuidora. "Temos vária decisões judiciais nos tribunais de Justiça de Pernambuco e São Paulo, assim como no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, que estão reconhecendo as práticas ilícitas e anticoncorrenciais praticadas pela Heineken", conclui Beltrão.

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