Dissolução do Nafta favorece exportação de manga de PE para os EUA

México é um grande exportador de mangas para o país norte-americano e concorrente direto dos produtores do Vale do São Francisco

Frutas mexicanas concorrem com as cultivadas no São FranciscoFrutas mexicanas concorrem com as cultivadas no São Francisco - Foto: Arthur Mota/arquivo folha

 

A possível desestruturação do Nafta - acordo de livre comércio entre Estados Unidos (EUA), Canadá e México - pode fortalecer acordos comerciais de Pernambuco. É que o México é um grande exportador de mangas para o país norte-americano e concorrente direto dos produtores do Vale do São Francisco, responsável por produzir 90% de toda manga in natura do Brasil. Se o presidente Donald Trump valer sua promessa de campanha, o desarranjo do bloco econômico ampliará a janela de exportações lá fora. Por ano, 154,2 mil toneladas da fruta são comercializadas para Europa, América do Norte, Sul, Ásia e África, movimentando US$ 180 milhões.

“Se aumentar o custo da exportação do México, naturalmente, o Vale será beneficiado. Para você perceber o tamanho do impacto deles no nosso mercado, só começamos a vender para os Estados Unidos depois que os produtores mexicanos terminam suas vendas por lá”, explicou o gerente-executivo da Associação dos Exportadores Hortigrangeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valexport), Tássio Lustoza, que apontou ainda Equador e Peru como os outros fortes mercados na terra de Tio Sam. Eles, no entanto, não fazem parte do Nafta.

O tratado é importante para os três países porque criou uma zona de livre comércio, na qual tarifas, barreiras ao comércio de bens e serviços e recursos financeiros foram gradualmente eliminadas em um prazo de 15 anos. Havia, portanto, uma previsibilidade de que a maior parte das liberalizações ocorresse nos primeiros cinco anos do acordo, ou seja, em 1999. “Precisamos retroceder um pouco para analisar o tamanho do impacto dessa decisão. Na década de 30, após a crise da Bolsa de Valores, os Estados Unidos se fecharam ao comércio internacional e isso travou muita coisa”, comentou o professor de economia internacional da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Écio Costa.

Entretanto, segundo ele, é preciso observar o impacto desse protecionismo sob a ótica das conjunturas. “No primeiro momento, o Brasil passa a ter acesso ao mercado que até então era bastante concorrido e com poucas brechas. Mas, no segundo momento e no pior dos cenários, os Estados Unidos podem impor sanções e resolver proteger o agronegócio do Brasil”, ressaltou. Écio afirmou ainda que o Brasil não deve torcer a favor do rompimento, mas propor negociação comercial.

Afinal, na avaliação do também professor de relações internacionais do Ibmec/Minas, Oswaldo Dehon, o fim do Nafta não significaria numa ruptura total das relações comerciais entre esses países. “É bom lembrar que o México e o Canadá já vendiam para os Estados Unidos antes do Tratado”, dis­se. Outra questão que Dehon chama atenção é que não somente o Brasil poderá aproveitar a janela de oportunidades. “O leque se abre para todos”, sublinhou. Para o internacionalista Thales Castro, embora haja um novo caminho de exploração comercial, a competitividade logística ainda será dominada pelos países norte-americanos. “É difícil combater”, contou.

 

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