Investimentos

Diversificar é opção para investir bem

Para especialistas, 2021 ainda vai trazer um cenário incerto para o mercado financeiro, por isso a saída é variar nos investimentos

Bolsa de valores de São PauloBolsa de valores de São Paulo - Foto: Luiz Prado/Divulgação/BM&FBOVESPA;

O ano de 2020 foi repleto de instabilidades no cenário de investimentos, muito por conta da pandemia provocada pela Covid-19. Apesar da recente forte recuperação, a expectativa é de que em 2021 as incertezas ainda estejam presentes no mercado econômico, exigindo  uma diversificação maior dos investimentos, a fim de que a rentabilidade melhore e os riscos sejam minimizados. A Folha de Pernambuco conversou com especialistas, para indicar quais as melhores alternativas de investimentos para o ano de 2021.

De acordo com o sócio da Finacap Investimentos, Alexandre Brito, uma aposta pode ser nos mercados emergentes, já que os estímulos monetários mundiais foram altos, em razão das consequências da pandemia do novo coronavírus. “Historicamente, nesses períodos de estimulo forte econômico, é o momento em que mercados emergentes têm maiores valorizações, isso é cíclico. Normalmente eles são acompanhados por uma alta forte nas commódities, se valorizam muito puxados pela economia chinesa. Outro fator é o enfraquecimento do dólar, comparado a várias moedas”, disse.

O sócio da Finacap avalia que o investimento na moeda norte-americana deverá ser feito como uma forma de ter uma carteira ampla, mas não como prioridade. “A gente tem uma visão positiva para o mercado de renda variável, nos emergentes de forma geral. Não recomendamos investimento no dólar, pode ser na proteção, é uma moeda forte, pode ser que o cenário não se materialize. Investimentos para os quais chamamos a atenção são os que têm liquidez alta e podem ter pressão inflacionária, com desvalorização da moeda, os índices subindo”, pontuou.

Brito destaca que os investimentos em títulos do tesouro podem ser uma boa opção no ano e reforça a importância de ter uma carteira diversificada. “Recomendamos que investidores tenham proteção para inflação e sugerimos os títulos do tesouro. Por mais que seja cauteloso, tem pouco risco de crédito, de que o governo quebre. Via de regra a gente não vê um cenário catastrófico. Ter sempre a carteira diversificada é importante. É preciso ter uma visão econômica do que espera, ter um plano, de acordo com objetivos”, destacou.

Já na avaliação do sócio da Athena-BGA, escritório de assessoria de Investimentos da XP em Pernambuco, Thiago Pflueger, as taxas de juros baixas no Brasil e no mundo, devem favorecer os investimentos com riscos maiores. “Por conta dos estímulos, a gente está otimista com ativos de maior risco, de renda variável no Brasil e no mundo. Estou otimista em ativos fora do país, com um cenário melhor em relação ao PIB. Recomendo uma diversificação geográfica nos Estados Unidos e na China. É se posicionar em ações brasileiras, mas com uma diversificação no mercado internacional, principalmente no setor tecnológico”, afirmou Thiago.

O que deve ficar como uma segunda opção, segundo Pflueger, são os investimentos em renda fixa. “A renda fixa fica em segundo plano, é natural por conta dos baixos rendimentos. Ativos alternativos, fundos multimercados, commodities  podem ser uma forma de diversificar, mas o grande ativo é a renda variável. Mas a gente sempre deve fazer uma ponderação. 30% a 40% em ativos conservadores como renda fixa, outros 30% em uma moderada e outra parte em ações no Brasil ou no Exterior. A gente não pode colocar tudo em uma geografia só. É sempre diversificar para não correr riscos”, aconselhou o sócio da Athena-BGA.

Por fim, uma tendência que deve ser diferente no mercado brasileiro, é no que diz respeito às chamadas ‘empresas de qualidade’, que deverão entrar mais caras em 2021, e não serão tão aproveitadas como foram em 2020, segundo Thiago. “A gente viu uma recuperação da Bolsa muito rápida, e as grandes altas foram de empresas que têm algum fator como diferencial. Em 2021 isso vai ser diferente na minha avaliação. O brasileiro na crise entrou muito na Bolsa. 2021 vai ser de volatilidade e o brasileiro só toma risco de uma classe de ativo. A aposta vai ser diversificar geograficamente os ativos”, finalizou. 

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