A-A+

Dólar fica mais volátil nesta eleição

Segundo a Anbima, real já desvalorizou 3,41% em relação ao dólar entre julho e 20 de agosto deste ano por conta das incertezas políticas. Na eleição de 2014, porém, a queda foi de 2,53%

DólaresDólares - Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

O dólar voltou a subir nessa quarta-feira (22), ainda impactado pelo cenário eleitoral. A moeda bateu R$ 4,06 no fechamento do mercado financeiro, mas atingiu picos de R$ 4,09, apenas um dia depois de ter ultrapassado a barreira dos R$ 4 pela primeira vez desde fevereiro de 2016. E esses valores podem crescer ainda mais até o dia em que o próximo presidente for definido. É que, como mostra um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a volatilidade desta campanha já supera as registradas nas campanhas passadas. E isso levou o real à posição de sétima moeda mais desvalorizada do ano em relação ao dólar, segundo a agência Austin Rating.

Leia também:
Dólar mantém alta e fecha em R$ 4,06 após divulgação de pesquisa
Em alta, dólar começa a ser vendido parcelado no Recife


“A oscilação da moeda - resultado do nível de incerteza dos investidores - é maior do que no mesmo intervalo das eleições passadas (2006, 2010 e 2014). Isso inclui a disputa presidencial de 2014, conhecida como a mais polarizada da recente história política do País”, revelou a Anbima, explicando que o real desvalorizou 3,41% somente entre julho e 20 de agosto deste ano, mesmo faltando mais de um mês para as eleições presidenciais. No mesmo período da campanha passada, por sua vez, a desvalorização foi de 2,53%. E este movimento seguiu no caminho oposto em 2006 e 2010: nestas campanhas, a moeda até se valorizou, ficando 1,3% e 2,32% mais cara, respectivamente.

“Estamos vivendo um período de maior volatilidade porque o próximo presidente tem o desafio de equilibrar as contas fiscais nacionais”, explicou o economista da Austin Rating, Alex Agostini, lembrando que as últimas pesquisas eleitorais levantaram dúvidas no mercado financeiro em relação à capacidade do próximo gestor de executar medidas fiscais importantes, como a Reforma da Previdência. A última pesquisa Datafolha, por exemplo, colocou o ex-presidente Lula e o deputado Jair Bolsonaro à frente das intenções de voto - o mercado, porém, não se mostra favorável a uma nova gestão petista e não sabe se, pelas suas condições extremistas, Bolsonaro tem condições de mobilizar o Congresso em prol de temas polêmicos como a Previdência. “O mercado tinha muito mais expectativas de reforma com Alckmin, que ficou para trás nas pesquisas”, completou o economista da Nova Futura Corretora, Pedro Paulo Silveira, dizendo que, por conta dessas incertezas, o dólar ainda pode variar bastante até o fim do ano. “A expectativa é que esse movimento continue até o próximo presidente se posicionar em relação às medidas que, na visão do mercado, podem colocar o País nos trilhos, como a Previdência”, confirmou Agostini.

A dúvida é, portanto, quão grave será essa variação. É que, segundo a Anbima, “as rentabilidades da taxa de câmbio no mês de outubro, quando acontece a eleição, e a trajetória volátil podem se acirrar” e alguns especialistas já dizem que, se o resultado das urnas não agradar o mercado, o câmbio pode passar dos R$ 4,50.

Veja também

Brasil: 56,4% das dívidas dos inadimplentes são pagas em até 60 dias
Contas

Brasil: 56,4% das dívidas dos inadimplentes são pagas em até 60 dias

Vale perde posto de empresa mais valiosa da América Latina para Mercado Livre
Mercado

Vale perde posto de empresa mais valiosa da América Latina para Mercado Livre