Dólar: será a melhor hora para comprar?

Moeda fechou ontem em R$ 3,12 e acumula desvalorização de quase 4% este ano

Divisa atingiu, ontem, o menor valor desde outubro de 2016, a R$ 3,12 (comercial)Divisa atingiu, ontem, o menor valor desde outubro de 2016, a R$ 3,12 (comercial) - Foto: Felipe Ribeiro

 

O dólar, que bateu a casa dos R$ 4 em 2016, já a­cumula queda de qua­se 4% no começo este ano. Pa­­ra quem está planejando uma viagem, este pode ser um bom momento para comprar a moeda, indicam os especialistas consultados pela Folha de Pernambuco. Po­rém, é preciso cautela.
Nessa quinta (2), o dólar comercial encerrou as cotações no seu menor valor desde 25 de outubro do ano passado, vendido a R$ 3,122 (comercial) - um descréscimo de 0,89%. O econo­mista Tiago Monteiro, professor da Faculdade dos Guararapes (FG), acredita que o câm­bio não deve oscilar mui­to nos próximos dias. “É um momento oportuno para comprar a moeda, porque as previsões de mercado indicam para a valorização do dólar - entre os R$ 3,20 a R$ 3,25 até o fim do ano - com a melhoria da economia norte-americana”, anteviu.

Ele adverte que, caso haja uma nova onda de turbulências econômicas e políticas no Brasil, a valorização da moe­da ante ao Real pode ser ain­da maior. A análise do só­cio da Consultoria Financeira e Mercados (Finacap), Aristides Bezerra, segue a mesma linha. “As delações da Odebrecht e outras questões políticas no Brasil ainda po­dem influenciar muito o comportamento do câmbio nos próximos meses”, advertiu.

Para não deixar de aprovei­tar a atual cotação favorável, nem se expor a grandes per­das, caso a moeda continue a cair, os dois especialistas são objetivos: o ideal é comprar aos poucos. “Se a pessoa definiu um orçamento para a viagem, o mais indicado é comprar em etapas, para pulverizar os riscos”, recomenda Monteiro.

Cotação

Ontem, a principal influência para a queda do dólar foi a decisão do Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) de não subir os juros básicos dos Estados Unidos (EUA), atualmente entre 0,5% e 0,75% ao ano. No ano passado, o Fed havia sinalizado que poderia elevar os juros, mas a decisão foi adiada após a posse de Trump. O aumento das taxas nos EUA atrai os investidores e provoca um efeito que os economistas cha­mam de “fuga de dólares”. Ou seja, em busca de maior rentabilidade, os investidores levam seus aportes para os EUA, onde a economia é estável e o dinheiro rende melhor.

Quando ocorre o efeito inverso (os juros estão baixos por lá), as taxas altas dos países emergentes, como o Brasil, atraem o capital e essa entrada de recursos faz o dólar baixar.

 

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