Dólar sobe 1,8% e fecha a R$ 3,52; Bolsa cai 3,85%

Ainda assim, o dólar acumulou valorização de 1,8% em relação ao real. Nesta sexta (4), o dólar comercial recuou 0,19%, para R$ 3,524. O dólar à vista, que fecha mais cedo, caiu 0,48%, para R$ 3,518

Dólar sobe 1,8% na semana em meio a turbulências nos EUA e após atuação do BC Dólar sobe 1,8% na semana em meio a turbulências nos EUA e após atuação do BC  - Foto: Dado Ruvic/Reuters

A trajetória do dólar na semana pode ser contada a partir de duas narrativas: a preocupação com aumento adicional de juros nos Estados Unidos que levou a moeda ao patamar de R$ 3,55, e os dois dias de queda subsequentes após o recado do Banco Central brasileiro de que vai atuar para conter altas da divisa.

Ainda assim, o dólar acumulou valorização de 1,8% em relação ao real. Nesta sexta (4), o dólar comercial recuou 0,19%, para R$ 3,524. O dólar à vista, que fecha mais cedo, caiu 0,48%, para R$ 3,518.

A Bolsa brasileira
também foi impactada pelas perspectivas de mais altas de juros nos Estados Unidos, o que enxuga dinheiro aplicado hoje em renda variável.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, recuou 3,85% na semana -a pior desde a encerrada em 19 de maio de 2017, quando a notícia da delação do empresário Joesley Batista, do grupo JBS, provocou turbulências no mercado. Nesta sexta, a Bolsa caiu 0,2%, para 83.118 pontos.

Até quarta-feira (2), quando atingiu a máxima de R$ 3,55, o dólar reagia à expectativa de mais um aumento de juros nos Estados Unidos, na reunião de dezembro do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central americano).

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Apesar de manter os juros na faixa entre 1,5% e 1,75%, o Fed sinalizou que a inflação nos EUA pode se aproximar da meta de 2% ao ano. Alguns analistas viram nessa indicação a possibilidade de uma quarta alta no ano, em vez das três esperadas.

A avaliação impactou o rendimento dos títulos de dívida americana com vencimento em dez anos, considerados livres de risco. Os papéis passaram a render mais, atraindo investidores com dinheiro em Bolsa e em países emergentes como o Brasil.

Na semana, 29 das 31 principais moedas do mundo se desvalorizaram em relação ao dólar. Como resposta à velocidade da alta do dólar -a moeda ganhou R$ 0,12 em dez sessões-, o Banco Central anunciou, na noite da mesma quarta, que poderia oferecer mais contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro) para suavizar os aumentos do dólar. Foi a deixa para a cotação da moeda passar a cair nos dois dias seguintes.

Nesta sexta, o BC vendeu, pelo segundo dia, a oferta integral de até 8.900 contratos em swaps cambiais tradicionais, rolando US$ 890 milhões dos US$ 5,650 bilhões que vencem em junho. Se mantiver e vender esse volume diário até o final do mês, o BC terá colocado US$ 8,455 bilhões em swaps.

Nesta sexta, a queda ainda contou com o reforço de dados mais fracos que o esperado do mercado de trabalho americano. Os Estados Unidos criaram 164 mil vagas de trabalho em abril, ante expectativa de 192 mil.

A taxa de desemprego recuou de 4,1% para 3,9%, menor nível em quase 17 anos e meio. A renda média por hora subiu 0,1% no mês passado, depois de aumentar 0,2% em março. Com isso, o aumento anual do salário médio por hora ficou em 2,6%.

Para Alvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais, a próxima semana vai depender da evolução das negociações entre chineses e americanos sobre a imposição de tarifas que ameaçam provocar uma guerra comercial entre ambos.

Outro fator a ser considerado é a normalização das políticas monetárias dos bancos centrais de países desenvolvidos, que começam a preocupar investidores. "Basta ver o que está acontecendo com a emergente e desequilibrada Argentina, perdendo reservas e jogando a taxa de juros aos píncaros de 40%, e ainda assim com a maior valorização do dólar frente ao peso argentino", afirmou, em relatório.

Bandeira lembra que as eleições, no Brasil, seguem no radar. Em meio às incertezas sobre a diretriz econômica a ser adotada pelos pré-candidatos que lideram a disputa - Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede)-, os investidores que entram na Bolsa buscam proteção contra as variações cambiais, o que acaba também contribuindo para a valorização do dólar em relação ao real.

Nesta sexta, o CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote do país, teve queda de 2,59%, para 185,2 pontos. Os contratos mais negociados de juros futuros tiveram sinais mistos. Os DIs para julho de 2018 caíram de 6,254% para 6,234%. Os DIs para janeiro de 2019 tiveram alta de 6,275% para 6,280%.

Ações

Dos 64 papéis do Ibovespa, 36 caíram e 28 subiram. A Raia Drogasil teve a maior queda, com recuo de 3,64%. A Cielo perdeu 3,22% e a MRV se desvalorizou 2,85%. Na ponta positiva, as ações da Lojas Renner subiram 5,43%. A Marfrig ganhou 4,87% e a Smiles teve avanço de 4,41%.

As ações da Petrobras fecharam em baixa, apesar da alta dos preços do petróleo no exterior. O aumento ocorreu conforme a oferta global se manteve limitada e o mercado aguarda notícias de Washington sobre possíveis novas sanções americanas contra o Irã. As ações preferenciais da Petrobras tiveram queda de 0,80%, para R$ 22,27. Os papéis ordinários recuaram 1,73%, para R$ 23,89.

A mineradora Vale viu suas ações subirem 1,24%, para R$ 49,70. No setor financeiro, o Itaú Unibanco teve baixa de 1,17%. As ações preferenciais do Bradesco subiram 0,09%, e as ordinárias perderam 0,35%. O Banco do Brasil se desvalorizou 0,20%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil se valorizaram 0,41%.

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