Dólar sobe 5% e tem maior alta em oito anos com Trump

No Brasil, a moeda americana subiu para o patamar de R$ 3,36

Secretaria Estadual de Educação, na Avenida Afonso OlindenseSecretaria Estadual de Educação, na Avenida Afonso Olindense - Foto: Google Street View

O dólar avançou mundialmente nesta quinta-feira (10), com a percepção dos investidores de que os juros americanos subirão de forma mais agressiva. No Brasil, a moeda americana subiu 5%, para o patamar de R$ 3,36. É a maior alta percentual desde outubro de 2008, em plena crise econômica global. Já o Ibovespa recuou 3,25%, pressionado principalmente pelos papéis de bancos e da Petrobras.

Segundo analistas, a percepção do mercado é de que o presidente eleito dos EUA, o republicano Donald Trump, deve elevar os gastos públicos e cortar impostos para acelerar a economia do país. Desta forma, os juros americanos deverão subir de maneira mais rápida para evitar a aceleração da inflação com o aquecimento da economia. Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos, destaca que a leitura é de que o republicano será mais pragmático, e abandonará o discurso radical adotado durante a campanha. "No discurso da vitória, porém, o único ponto que ficou mais claro foi a intenção de Trump de investir em infraestrutura."

Diante da forte volatilidade do câmbio em função da eleição presidencial americana, desde quarta-feira (9) o Banco Central não realiza leilões de swap cambial reverso. A operação equivale à compra futura da moeda americana, ou seja, retira dólares do mercado. Para conter a escalada do dólar, a autoridade monetária anunciou na noite desta quinta-feira que iniciará nesta sexta-feira (11) a rolagem dos contratos de swap cambial tradicional que vencem no próximo dia 1º de dezembro. A operação corresponde à venda futura de dólares. Vencem em 1 de dezembro montante equivalente a US$ 6,490 bilhões.

Câmbio e juros
O real teve a maior queda global nesta sessão. Além do cenário externo, operadores citam que um fator doméstico contribuiu para a alta expressiva do dólar ante o real e a forte queda do Ibovespa. A defesa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) anexou no processo que corre contra sua chapa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) documentos que indicam que R$ 1 milhão que a empreiteira Andrade Gutierrez deu à sua campanha de reeleição em 2014 entraram pela conta do então candidato a vice, Michel Temer (PMDB).

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, cresce temor no governo de que ministro do TSE recomende cassação da chapa Dilma-Temer. "O efeito Trump é o principal motivo para a forte volatilidade no mercado, mas essa questão do TSE criou um novo risco", comenta Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor.
O dólar à vista fechou em alta de 5,01%, a R$ 3,3631. É a maior cotação desde 27 de junho deste ano (R$ 3,4119) e a maior alta percentual desde 22 de outubro de 2008, quando avançou 5,99%. No mercado de juros futuros, os contratos também tiveram forte alta, refletindo o movimento no câmbio. O CDS (credit default swap) brasileiro, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, saltou 10%, para 302 pontos.

Bolsas
Em Nova York, o índice Dow Jones operava em alta de 1,33%, atingindo recorde histórico de pontuação (18,835,54 pontos). O índice S&P 500 ganhava 0,26%, mas o índice de tecnologia Nasdaq perdia 0,71%. Na Europa, a maior parte das Bolsas fechou em queda. Já as Bolsas asiáticas tiveram forte valorização, refletindo a percepção de que a economia americana vai acelerar. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio subiu 6,72%. O Ibovespa abriu no terreno positivo, mas inverteu o sinal, pressionado pelos papéis do setor financeiro e da Petrobras.

O principal índice da Bolsa paulista fechou em baixa de 3,25%, aos 61.200,96 pontos. É a maior queda percentual desde 9 de setembro deste ano (-3,71%). O giro financeiro foi expressivo, de R$ 16,5 bilhões. Segundo operadores, o índice foi penalizado pelo movimento global de saída de ativos de risco e busca por proteção no dólar, em meio às expectativas de alta mais forte dos juros americanos. As ações do Bradesco recuaram 8,91% (PN) e 6,25% (ON). O lucro líquido ajustado do banco caiu 1,6% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2015.

As ações ordinárias do Banco do Brasil perderam 6,41%. O lucro líquido ajustado do banco público caiu 18,9% no terceiro trimestre deste ano na comparação anual, para R$ 2,337 bilhões "Os balanços de Bradesco e Banco do Brasil foram fracos, comparados aos de Itaú e Santander", comenta Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos, destacando a alta dos índices de inadimplência de BB e Bradesco.
Ainda no setor financeiro, Itaú Unibanco PN perdeu 4,98%; Santander unit, -4,55%; e BM&FBovespa ON, -3,39%.

As ações ordinárias da Petrobras recuaram 6,90% e as preferenciais perderam 4,98%, com os investidores à espera da divulgação do balanço do terceiro trimestre da estatal. Os papéis da Vale ganharam 8,21% (PNA) e 7,48% (ON), sustentados pela forte alta do minério de ferro na China pela quarta sessão consecutiva. O minério de ferro entregue em Qingdao subiu 4,42%, a US$ 74,12 a tonelada, maior cotação desde novembro de 2014. Ações de exportadoras de papel e celulose se beneficiam da forte desvalorização do real: Suzano PNA avançaram 13,57%; Fibria, +11,11%; e Klabin, +5,77%.

Veja também

Turismo acumula perdas de R$ 122 bi na crise, e recuperação será lenta
Economia

Turismo acumula perdas de R$ 122 bi, e recuperação será lenta

Mais de 5 milhões já deixaram o afastamento do trabalho desde maio, diz IBGE
Coronavírus

Mais de 5 milhões já deixaram o afastamento do trabalho desde maio, diz IBGE