Economia doméstica

É hora de fazer economia em casa

As pessoas estão ficando mais tempo em casa por conta da pandemia. Mas o que a população não sabia é que velhos hábitos, como deixar a lâmpada acesa, podem aumentar os gastos justamente no momento que exige mais economia doméstica

ContasContas - Foto: Pixabay

A pandemia provocada pelo novo coronavírus trouxe muitas mudanças para a rotina de todo mundo, com novos hábitos em casa, no trabalho e na escola, além de exigir o máximo de cuidado com a higiene. As pessoas passaram a gastar mais ao mesmo tempo em que muitos tiveram redução na renda. Nesse cenário, um dos ensinamentos mais importantes para a população é a necessidade de controlar os gastos financeiros, priorizando cada vez mais a economia doméstica. Para ter equilíbrio no orçamento familiar é preciso economizar, pensar bem nos gastos, adotar estratégias criativas e até já conhecidas no dia a dia.

Dados de uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) destacam que o brasileiro precisa melhorar o acompanhamento das contas domésticas, mas 45% deles ainda não fazem controle do orçamento familiar e 50% aprenderam sozinhos a administrar as finanças. 

De acordo com a assessora de investimentos Luciana Ikedo, a pandemia do novo coronavírus tornou evidentes os maus hábitos dos brasileiros em casa, e eles passaram a pesar mais no bolso.

“Antes da pandemia esses gastos excessivos dentro de casa aconteciam, mas era algo que se conseguia controlar. Com as pessoas em casa por mais tempo, isso acaba pesando muito mais. Por isso é relevante que se tenha um controle financeiro para não chegar uma situação crítica. É importante saber para onde vai o dinheiro, as despesas com os gastos essenciais e os não essenciais, fazer os cortes. Se não souber onde está gastando, fica difícil identificar as despesas”, disse.

Segundo Luciana, é preciso que as pessoas se questionem se aquele gasto é realmente necessário e se cabe dentro do orçamento da família. “Não basta controlar, é preciso criticar, saber se quer gastar isso tudo. Alguns valores podem ser pequenos, mas quando somados no fim do mês se tornam relevantes. É preciso fazer planejamento da alimentação, sabendo o que vai comer durante o mês, ir ao supermercado com a lista na mão e evitar gastos que não estavam previstos. E nunca fazer a feira de barriga vazia, porque a fome pode servir de estímulo para comprar mais do que precisa”, destacou.

Outros fatores importantes e que podem contribuir para a economia mesmo sem sair de casa está no consumo de energia e do gás, como orienta Luciana Ikedo. “O que vai impactar é o ar condicionado, o tempo do banho, tomadas ligadas e lâmpadas acesas. É bom lavar a roupa uma única vez, não ligar a máquina para quantidades pequenas, tirar roupas do varal, dobrar e guardar, ao invés de passar todas. Isso impacta diretamente na conta de luz. Um ponto importante no home office é escolher um lugar iluminado por luz natural para realizar o trabalho. E é bom criar o hábito de desligar os equipamentos, desconectar para economizar”, declarou.

Na opinião do professor de Finanças da Cedepe Business School, Ednaldo Figueiroa, um fator importante que pode ajudar é a educação alimentar, principalmente das crianças, aliado a um melhor estudo sobre educação financeira. “O cenário que estamos vivendo mudou muito por conta da pandemia. Crianças comem muito, pois estão crescendo, mas é importante regular a alimentação dos filhos, comer no horário, evitar comprar alimentos que não são tão essenciais", afirmou. "A educação financeira é o grande problema do brasileiro, é bom olhar esses canais de desperdício. É importante fazer o orçamento doméstico, uma definição de quanto custa a vida familiar, computando todos os gastos”, disse. 

Ednaldo aponta ainda que dar atenção à manutenção do lar é importante, para não acabar deixando passar um problema simples despercebido e depois ter um prejuízo maior. “Como conseguir economizar nesse momento é a velha história das pequenas coisas, não são as grandes coisas. Vazamento de água, a conta sobe. Energia em casas antigas tem dificuldade por conta de fiação, e em casa na pandemia se consome mais energia. Na manutenção da casa, a pessoa vai deixando pra depois um problema no telhado e quando vai tentar corrigir acaba com um gasto muito maior. Para quem mora em apartamento o custo é menor”, declarou.

DENTRO DE CASA
Uma das pessoas que preza por uma economia doméstica é a professora e bióloga Karla Lima. Um dos principais hábitos que ela segue para ter um orçamento mais folgado é, no momento da feira mensal, fazem uma lista para comprar apenas o essencial. "Eu faço a lista e sempre procuro supermercado atacadista, porque eu consigo pegar promoções em um determinado número de unidades. Como a minha família é grande, vale mais a pena. Os produtos que são mais caros eu faço pesquisa em outros supermercados. Isso é mais vantajoso, as vezes chego a completar 60 dias com os produtos. Opto por um planejamento que sai mais em conta. Escolhemos uma data específica, nem muito no começo, nem no final do mês, quando os preços estão mais baratos pelo que já observamos e não tem tanta gente”, relatou.

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