Evento CIAB Febraban 2019
Evento CIAB Febraban 2019Foto: Divulgação

Apesar das incertezas em relação ao crescimento da economia nacional, muitas famílias brasileiras voltaram a procurar os bancos para fazer empréstimos. Segundo o Banco Central (BC), os financiamentos com recursos livres a pessoas físicas já totalizam R$ 984 bilhões no ano. O número revela um crescimento de 13,2% nas contratações realizadas nos últimos doze meses e, por isso, leva a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) a acreditar que a carteira de crédito vai crescer entre 6% e 7% no País neste ano.

“Temos a expectativa de que o crédito bancário vai crescer em ritmo superior ao do PIB (Produto Interno Bruto)”, afirmou o presidente da Febraban, Murilo Portugal, na abertura do Ciab 2019 – congresso de tecnologia do setor financeiro que teve início ontem em São Paulo –, lembrando que as projeções de crescimento do PIB, que têm sido seguidamente rebaixadas pelo mercado financeiro, beiram o 1%.

Pesquisa realizada pela entidade com os 20 bancos que representam 80% do mercado de crédito brasileiro confirmou o otimismo: 61% dos entrevistados acreditam que o bom ritmo de crescimento da carteira de crédito livre, no qual não há direcionamento obrigatório para os recursos financiados, deve se manter até o final do ano e, por isso, elevaram para 6,8% a perspectiva de crescimento da carteira total de crédito.

Os entrevistados explicaram ainda que a alta será possível por conta da inflação moderada e da redução da inadimplência registrada no fim do ano passado, além da taxa básica de juros (Selic), que está no menor patamar da história, de 6,5%.

Murilo Portugal admitiu, porém, que essa retomada na demanda por crédito ainda se dá apenas no âmbito das pessoas físicas. “A redução do endividamento das famílias e a oportunidade de elas voltarem a tomar empréstimos aconteceu primeiro. Já nas empresas, esse processo ainda está andando”, lembrou Portugal, dizendo que, por isso, a carteira de crédito à pessoa jurídica segue em baixa. Segundo ele, até o crédito direcionado, que é concedido a taxas subsidiadas, caminha mais perto do saldo negativo. É por isso que, segundo o Banco Central, em abril, enquanto o volume de operações concedidas a pessoas físicas cresceu 0,8%, houve uma redução de 1,1% na carteira de crédito das pessoas jurídicas.

“A atividade econômica está se recuperando de forma muito lenta. E isso acaba tendo um reflexo na demanda por crédito das empresas”, explicou Portugal. “Se o País não cresce, a tendência do crédito é andar de lado”, confirmou o diretor-presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, dizendo que, por isso, o banco tem focado “nas carteiras que têm mais probabilidade de crescimento, que é o crédito consignado, o crédito imobiliário, o crédito pessoal e o financiamento de veículo”. “No resto das operações, sobretudo nas de pessoa jurídica, o crescimento será bem menor”, admitiu Lazari.

O diretor-presidente do Bradesco afirmou, contudo, que ainda há uma esperança para que a retomada da economia brasileira - e, consequentemente, da carteira de crédito da pessoa jurídica - ganhe força neste ano. É a aprovação da reforma da Previdência. “Se a reforma acelerar e a gente conseguir que ela saia no fim de julho ou no começo de agosto, a gente ainda vai conseguir pegar um pouco de crescimento no último trimestre do ano”, opinou Lazari.

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