Profissão que mais cresce no país apenas recentemente foi regulamentada
Profissão que mais cresce no país apenas recentemente foi regulamentadaFoto: Arte FolhaPE

uma profissão que apenas recentemente foi regulamentada.A expectativa de vida da população tem aumentado no Brasil. Segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de idosos deve mais do que dobrar até 2050, subindo de 9,5% para 21,8% dos brasileiros, passando a marca de 40 milhões de pessoas. Essa tendência de crescimento também é observada no resto do mundo. O número de pessoas com mais de 60 anos deve chegar a 22% da população do planeta até 2050, o equivalente a 2 bilhões de idosos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Nesse cenário, também aumentou em larga escala a procura por cuidadores de idosos. Segundo dados do Ministério do Trabalho, o número de cuidadores de idosos cresceu 547% de 2007 a 2017.




A profissão, no entanto, apenas recentemente foi regulamentada. Em maio deste ano, o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei complementar 11/2016, que regulamenta a profissão de cuidador de idosos, crianças e pessoas com deficiência ou doenças raras. Agora, resta apenas a sanção do presidente para começar a vigorar. A Lei estabelece regras e critérios para o exercício da profissão e a inclui no rol das atividades regidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Entre os pré-requisitos para exercer a atividade, o texto estabelece idade mínima de 18 anos, exigência do ensino fundamental completo, comprovação de bons antecedentes criminais, e a apresentação de atestado de aptidão física e mental - regra ainda controversa em relação à aplicação. Também passou a ser cobrado certificado em curso de formação para cuidador de idosos, com carga-horária mínima de 160 horas, o que levou muitas pessoas a procurar formação na área. 

“O mercado para o cuidador vem crescendo abundantemente devido a esse aumento da população idosa no nosso país. Precisamos de pessoas capacitadas que tenham competências para cuidar desses idosos adequadamente”, comenta a enfermeira Simone Procópio, coordenadora de um curso de formação de cuidadores. Ela conta que ainda existe muita desinformação a respeito da profissão. “Cuidar de idosos não é só dar banho e trocar frauda. É muito mais além. Nós precisamos unir a teoria com a prática e a interação com esses idosos, que na maioria das vezes passam o tempo muito dispersos em casa, sem atividade, e nós treinamos esses cuidadores exatamente para atuar e focar nessas áreas prestando um serviço de qualidade”, afirma.

Um dos alunos de Simone é Alex Júnior, 28 anos. Sua primeira formação foi de técnico de logística, mas quando precisou cuidar de seu avô enfermo descobriu o ofício e passou a se interessar pelo ofício. “Como a profissão está bem abrangente e abrindo oportunidades para todos, pretendo arrumar sim um emprego na área e me especializar cada vez mais na área de saúde”, projeta.

“O que nós orientamos é se identificar com o idoso, ter respeito principalmente, amor pelo que faz. O cuidador vai atuar diretamente na parte de higiene, conforto, segurança, recreação e interação com o idoso”, explica Simone. Segundo ela, a formação é importante mesmo para quem já tem experiência com o cuidado de idosos. “Chegam muitas pessoas aqui com experiência de 10, 15 anos, que alegam só necessitar do certificado. E nós trabalhamos essa pessoa para observar que não é só o certificado, mas o conhecimento para que eles se sobressaiam. Nós trabalhamos a questão da postura do cuidador, de como chegar na residência desse cliente e como interagir”, detalha.

No entanto, nem todos os interessados têm perfil para ser um cuidador de idoso, adverte Simone. “Pessoas impacientes e pessoas muito ansiosas precisam trabalhar essa ansiedade antes de mais nada. A questão do respeito, de atender educadamente as solicitações dos idosos também deve ser observada. O idoso é muito só e então é necessário a escuta. É muito importante que esse cuidador escute o idoso para que ele possa por mais tempo manter sua autonomia e se sentir valorizado como ser humano”, destaca.

A enfermeira Simone Procópio coordena um curso de cuidadores de idosos no Recife

A enfermeira Simone Procópio coordena um curso de cuidadores de idosos no Recife - Crédito: Leo Malafaia / Folha de Pernambuco

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