Em um ambiente de trabalho de alta concorrência, a carreira pode se desenvolver tendo como alicerce bons valores de convivência
Em um ambiente de trabalho de alta concorrência, a carreira pode se desenvolver tendo como alicerce bons valores de convivênciaFoto: Greg Vieira / Arte FolhaPE

Chegar na frente sem passar nin­guém para trás. Eis o desafio de uma boa atuação pro­fissional em um mundo cada dia mais competitivo. O desenvolvimen­­to de uma carreira pode ser alcançado por diversos fatores e certamente um dos principais é a ética. Mas é possível se destacar preservan­do esse valor, mesmo em um ambiente de tanta concorrência? Para encontrar essa resposta, a Folha de Pernambuco consultou uma especialista e conversou com pessoas que trouxeram suas experiências do mundo corporativo.


Ética profissional é o conjunto de normas que constroem a consciência e guiam a conduta e a atitude no ambiente de trabalho. A palavra de origem grega éthos, que significa “propriedade do caráter” aponta para o bem agir. Uma conduta ética procura não prejudicar o próximo, pois visa cumprir os valores estabelecidos em sociedade, valores que também existem nas organizações e são importantes.

“Hoje, o mundo exige muito mais. E esse limite entre o que é certo e o que é errado é difícil mesmo. Quanto mais a gente trabalha de forma ética e responsável, mais a gente garante a credibilidade e as pessoas confiam no que a gente diz. Para as organizações o que importa não é só o desenvolvimento técnico. Você ser tecnicamente muito bom mas não ter aspectos morais e éticos comprováveis não interessa às organizações que sejam saudáveis. Então, trabalhar esses aspectos é um diferencial”, orienta a psicóloga e consultora organizacional, Rafaela Sampaio.

“Até que ponto eu posso lutar com todas as forças sem extrapolar esse limite da ética? Ser competitivo não quer dizer partir para o embate com as pessoas. A competitividade pode e deve ser muito boa, porque ela gera engajamento, reinvenção e desenvolvimento”, conclui a especialista.



Rafaela Sampaio, psicóloga e consultora organizacional.

Rafaela Sampaio, psicóloga e consultora organizacional. - Crédito: Leo Malafaia / Folha de Pernambuco



Fábio Ávila, fundador da Ávila, empresa do ramo da Tecnologia da Informação, teve a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de diversas carreiras. Ele reforça a importância de estar atento aos valores éticos. “O sucesso profissional tem na ética um de seus principais lastros. A competitividade com outros membros da equipe não deve causar desvios de ética, e é justamente dessa forma que irá tornar-se positiva para o crescimento profissional. A competência e reputação acumulada completam o lastro do crescimento profissional sustentável”, avalia.

Segundo ele, outro valor indissociável da ética é a confidencialidade. “Trabalho em diversos projetos com informação sensível, de caráter estratégico de diversas empresas. Tratar corretamente as pessoas que devem ter acesso a cada informação é cada vez mais importante e requer bastante atenção. Basta um e-mail descuidado para violar esta condu­ta, ou seja, a falta de atenção pode ter grandes impactos e se tornam ações não-éticas, mesmo que não haja a intenção. Nos tempos atuais, é avassaladora a velocidade e facilidade com que uma informação é

difundida”, diz Fábio.

 

Fábio Ávila,diretor fundador da Ávila, empresa especializada em TI.

Fábio Ávila,diretor fundador da Ávila, empresa especializada em TI. - Crédito: Julya Caminha / Folha de Pernambuco


 



Elifrancis Soares, ge­rente de Operações da Ávila, sugere prudência ao desligar-se de um emprego. “Muitas vezes, a ética é colocada à prova quando o profissional deixa uma empresa. É comum falar negativamente de empresas que se trabalhou no passado, mas essa atitude tem consequências negativas para a carreira de um profissional. Quem escuta esse discurso se pergunta o que este profissional diria da empresa que está hoje, caso saia um dia. O respeito profissional é essencial no mercado de trabalho, e também se aplica entre concorrentes”, aconselha. Ele ainda alerta para falsas conquistas. “Nos tempos atuais, as equipes são menores, mas há sempre espaço para crescimento. Assim, empresa e colaborador crescem juntos. Pode-se colher frutos tempo­rá­rios através de desvios de ética, mas não irão se manter sólidos ao lon­go de uma carreira”, pondera.

“Com abundân­cia de oportunidades de curta du­ração e relacionamentos líquidos, benefícios de curto prazo podem pare­cer promissores, mas somente com ética se obtém resultados e relações sólidas. A ética traz o respeito também às diferenças. Não somos iguais e nem pensamos igual. Através da ética e de normas de convivência, evitamos a destruição mú­tua. Por isso é essencial ouvir, refle­tir a totalidade dos fatos, situações e colocações de cada um, antes de to­mar uma decisão”, conclui Elifrancis.


Elifrancis Soares, gerente de Operações da Ávila

Elifrancis Soares, gerente de Operações da Ávila - Crédito: Julya Caminha / Folha de Pernambuco

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