Como a remuneração afetiva pode impulsionar o bem-estar dos funcionários e gerar um bom ambiente de trabalho na empresa
Como a remuneração afetiva pode impulsionar o bem-estar dos funcionários e gerar um bom ambiente de trabalho na empresaFoto: Lehi Henri / Arte FolhaPE

Receber seu salário em dinhei­ro é algo que todo traba­lha­dor espera. No entanto, há um tipo de remuneração que não en­tra na conta bancária: é o chama­do salário emocional. Como o próprio nome indica, trata-se de um ti­po de “pagamento” com um aspec­to mais afetivo. Há, por exemplo, quem prefira receber menos em uma empresa na qual tenha uma boa relação com colegas a ganhar mais em uma organização com “carrascos” e sem estrutura adequada.



Uma pesquisa realizada pela consultoria Kienbaum com 18 mil líderes de empresas apontou que os fatores mais importantes para que um trabalhador se sinta bem e motivado em uma instituição são progresso de carreira, aprendizado e desenvolvimento. Antes da remuneração, que apareceu apenas em quarto lugar no levantamento, ficaram à frente a natureza das atividades, um ambiente de trabalho desafiador e o conteúdo enriquecedor de sua respectiva função. Ou seja, dinheiro nem sempre é o mais importante para manter o bem-estar de um funcionário.

A psicóloga organizacional e gestora de recursos humanos, Mariella Pessoa, define salário emocional como um conjunto de incentivos que envolvem colaboradores e empresas. “A grosso modo, podemos entender que o salário emocional está ligado à qualidade de vida do colaborador dentro da instituição”, define.

Entre os principais fatores englobados pelo salário emocional, acrescenta Mariella, estão ações de valorização profissional, recrutamento interno, cargos e salários bem definidos e avaliação de desempenho comportamental e técnico. “São ferramentas que fazem com que o profissional se sinta mais valorizado”, acrescenta a psicóloga. Quem está no mercado de trabalho não quer apenas ganhar mais dinheiro, mas também busca manter uma boa relação entre vida profissional e saúde, principalmente a mental. “Ganhar dinheiro é bom e todo mundo gosta, mas a saúde precisa estar em primeiro lugar”, reforça Mariella.

Organizações costumam fazer uso da pesquisa de clima organizacional, uma espécie de levantamento sobre como os funcionários avaliam a instituição. Cada empresa deve estabelecer a periodicidade ideal do levantamento. “O resultado mostra se a empresa tem um ambiente saudável ou não. Com o resultado da pesquisa temos insumos para trabalhar durante todo o ano”, reforça a especialista.

Outro termômetro para avaliar uma empresa é verificar o chamado turnover, a taxa de rotatividade dos seus colaboradores. Ou seja, como é a movimentação de profissionais da instituição. “Se há um turnover muito alto, há um sinal de alerta. Por que tantas pessoas estão saindo da empresa? Temos uma empresa saudável quando há uma retenção dos talentos”, finaliza a psicóloga.

Ensinar com alegria

Cheio de histórias para contar, o professor Vlaudimir Salvador, de 60 anos, leciona há 27 anos na Univer­sidade Católica de Pernambuco (Uni­cap), no Recife, e demonstra ser alegre com a profissão, além de se sentir bastante querido pelos estudan­tes. “É isso que me alimenta”, con­ta. Em seu tempo de carreira, Vlau, como é conhecido, conta que se afastou do trabalho na universidade apenas duas vezes e chegou a ir à redação do jornal mesmo com 40 graus de febre. “Eu não tive filhos, meus filhos são meus alunos”, disse. Várias gerações de jornalistas aprenderam o ofício em suas aulas.

Entre vários empregos ao longo da vida, Vlau sempre precisou se desdobrar para dar conta de tudo e muitas vezes precisou deixar os fami­liares de lado. “Meu trabalho sem­pre foi prioridade. Certa vez mi­nha mãe teve um problema sério de saúde, ficou uma semana interna­da e eu não soube. Quando minha irmã me contou tive uma crise de choro. Quem divide a vida comigo diz sempre que minha vida é o trabalho e eu não percebia”, relembrou. “Professor não é só título, é sensibilidade. É algo que aprendi com o dia a dia. Eu fui aprendendo a ser professor e acho que sou hoje”, acrescenta, aos risos.
Por fim, Vlau relembra, emocionado, uma história que envolve um aluno que certa vez o enfrentou em sala de aula. “Ele estava drogado e então aumentei a voz. Disse que só conversaria quando estivesse normal. Ele foi reprovado por falta, mas sempre dou oportunidade”, rememora. Dias depois, em uma homenagem, o mesmo aluno disse o que Vlau representava para ele. “Na hora que foi falar ele disse: ‘enquanto o mundo desacreditou de mim, você acreditou em mim’. Então eu falei que estão justificados meus 27 anos de professor”, conclui.

"“Ganhar dinheiro é bom e todo mundo gosta, mas a saúde precisa estar em primeiro lugar", diz a psicóloga organizacional, Mariella Pessoa. - Crédito: Caio Danyalgil/Folha de Pernambuco

 

Alegre com a profissão, o professor Vlaudimir Salvador se sente querido pelos estudan­tes. “É isso que me alimenta”

Alegre com a profissão, o professor Vlaudimir Salvador se sente querido pelos estudan­tes. “É isso que me alimenta” - Crédito: Arthur Mota / Folha de Pernambuco

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Crédito: Lehi Henri / Arte FolhaPE


 


 

 

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